Sobre a criminalidade juvenil nas camadas altas da sociedade brasileira não se tem muita notícia, até porque estes jovens não têm motivos suficientes para ingressar na vida criminosa, tendo em parte todos os instrumentos para ascensão para uma vida confortável, em parte porque não querem arriscar o nome da família em negócios escusos.
Desenhado o quadro, grosso e primitivo, por sinal, da criminalidade juvenil brasileira, tento descrever as soluções possíveis para o combate. Em primeiro lugar, quanto a remédio jurídico proposto pelo Legislativo, eu até posso concordar, mas levando em conta sérias considerações. Deviam ser julgados a partir de 16 anos todos os crimes premeditados, ou seja, aqueles crimes que foram planejados e executados pelo menor, sozinho ou em grupo. Planejamento de um crime, de acordo com criminologos, requer uma ardorosa atividade intelectual, evitando assim as influência dos terceiros. Tem diferença quando um rapaz de 16 anos acometido por paixão, pega a faca e mete no seu oponente e quando este mesmo rapaz planeja a abertura de uma boca-de-fumo.
Por outro lado, um jurista brasileiro, infelizmente não lembro o nome dele, deu uma solução rápida e prática. Ele propôs que a atuação dos menores na quadrilha séria um momento agravante para seus membros maiores. Assim, os criminosos pensariam duas vezes antes de aliciar o menor para participar de um crime conjunto.
Mas isto é apenas um remédio superficial, é como remediar a enxaqueca com aspirina. A diminuição da delinqüência juvenil requer muito mais esforço......
Na União Soviética, depois da Segunda Grande Guerra, as cidades foram tomadas por ondas de criminalidade juvenil. Como muitos jovens perderam seus pais durante o conflito, mortos de fome e desesperados foram se integrando em bandos. A famosa gangue “Gata Preta” mantinha assustada toda Moscou e praticava quase todos os delitos que foram inscritos no Código Penal. Fora isto as “turmas” e “irmãos” dominavam os subúrbios de Leningrado, Kiev, Odessa e outras cidades expressivas ou não. O governo reagiu com dureza, prendeu, julgou e fuzilou os lideres, abriu ou ampliou os reformatórios, instituiu as escolas profissionalizantes e passou a ter fiscalização intensiva sobre os lugares de concentração dos jovens. Em vinte anos a delinqüência juvenil passou de generalizada a quase inexistente. Nos anos 60 e 70 na URSS foram registrados os índices de criminalidade mais baixos em todo mundo, ao lado dos paises escandinavos. Mesmo no auge da Guerra Fria, as delegações dos paises ocidentais visitavam a Rússia para pegar o exemplo.
É o que devia ser feito no Brasil. Em primeiro lugar deviam ser isolados os lideres atuais, não importando a sua idade e grau de periculosidade. Regime de reformatórios devia ser trocado. Em vez de FEBEMs e outras “Santas Casas” que serviam como deposito dos criminosos, seriam como escolas de regime austero, com presença policial e da agentes sociais. Deste modo o jovem “subversivo”, mas que ainda não começou com as atividades criminais, poderia continuar com os estudos, mas sobre regime disciplinar severo. As famílias de risco, os integrantes de quais já participaram nos crimes, também deviam receber a visita da polícia pelo menos uma vez por semana.
Quanto aos crimes menores, invés de mandar para a cadeia ou FEBEM, devia valer-se de outras medidas jurídicas como trabalhos obrigatórios e limitação de liberdade, que já foram previstas no Código Penal. Trabalho obrigatório é aquele onde o condenado é forçado a lavar as ruas, limpar os banheiros dos hospitais públicos e outras coisas desagradáveis. Ajuda. Quanto a limitação de liberdade é quando o juiz proíbe de freqüentar certos lugares ou aparecer num certo horário, por exemplo de madrugada....
Ainda continua....