sexta-feira, 20 de julho de 2007

Teoria e prática da guerra-rebelião

Guerra-rebelião é uma nova realidade mundial no início do século XXI. Depois da segunda guerra mundial um militar italiano repensou como seriam guerras no futuro (o presente de hoje). No entanto ele não se limitou a estratagema puramente militar. O que é guerra? Guerra hoje é um conflito armado entre duas ou mais nações por algum motivo, visando a conquista de alguns interesses. Pode ser recuperação do território, proteção ou ampliação de interesses econômicos, proteção de alguma parcela da sociedade. O que distingue a guerra-rebelião é sua baixa intensidade, desigualdade dos entre os lados beligerantes, de táticas distintas. Arsonni no seu trabalho afirmava que a rebelião-guerra pode começar onde tem sérios antagonismos entre nas castas societárias, divergências políticas, ou seja em todo mundo. Os motivos de guerra-rebelião podem ser mais distintos, mas os métodos são quase iguais.

A tática dos grupos consiste em famoso kick and rush, bate e corra. Ação consiste em aparecer em vários pontos, atacando vários pontos do estado (instalações militares ou policiais), atacar patrulhas moveis. Depois do ataque feroz, atacantes se retiram para esperar a reação política. O efeito dos seus ataques são quadruplicados pela mídia e os esforços políticos geralmente são todos em vãos. Essas guerras latentes foram implantados em Oriente Próximo, Iraque, Afeganistão, Paquistão, Chechenia e outros cantos que eu não conheço.

E o Brasil? Ora, nos já temos a nossa. Mudam os motivos ficam os métodos. Lembram dos ataques do PCC em maio do ano passado? Não parece familiar? Pois alguém errado já leu livros certos. Os ataques dos bandidos foram descentralizados. Ao mesmo tempo foram atacadas instalações policiais, agentes foram abordados em vários cantos, criando ilusão de numerosidade dos marginais. No dia seguinte São Paulo, parou. A imprensa mostrava as avenidas vazias, pessoas amendrontadas. Qual a finalidade do ataque? Evitar a transferência dos lideres do PCC à presídio de segurança máxima. Durante três meses 1500 homens da Força Nacional de Segurança e polícia do Rio de Janeiro cercavam o complexo do Alemão a fim de garantir a segurança do Pan. Fora uns vinte mortos, não conseguiram. Tem notícias que os traficantes do complexo tinham apoio lógico do sempre-presente PCC paulista.

A reação da sociedade é previsível, medo. Os ataques do PCC começaram com grave crise no setor de segurança. Foi criada a Força Nacional de Segurança, protótipo da Guarda Nacional a que ficasse incumbida a responsabilidade de repressão aos ataques dos grupos armados. Mas o projeto travou no Congresso Nacional e status de FNS ficou meio pendurado. Ela hoje atua, por exemplo no Rio de Janeiro, mas no vácuo jurídico, pois não existem referencias a ela na Constituição do Brasil. A União Federal dispõe de Forças Armadas e Polícia Federal, mas, perante ataques organizados, governadores resistem ao último, pois tanques na rua e helicópteros dos federais, é veredicto definitivo quanto a sua incompetência. Por outro lado os políticos já aprenderam a usar rebelião-guerra em sua vantagem. A imagem do Zé Serra como esmagador do levante, lhe rendeu a cadeira do Governador de São Paulo. Figuras como Sérgio Cabral e César Maia, também são apontados como defensores dos cariocas. Assim cria-se laço parasitário entre grupos marginais e Poder Público. Aspirantes a cadeiras importantes necessitam do “voto do medo”, insurgentes precisam dos políticos para ampliar a imagem “dos contras” e conseguir o financiamento mais sério. Assim este círculo vicioso só tende a se expandir, enfim levando ao colapso total da sociedade atual e do Estado vigente. Justamente a meta final de qualquer guerra-rebelião.

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