Uma grande pergunta perturba todos os jornalistas, juristas, políticos em quase todos os países do mundo. Por que, depois de passados quase vinte anos do anúncio do fim da Guerra Fria, o tráfico legal e ilegal das armas está crescendo em níveis jamais vistos? Quem são vendedores e quem são compradores. Seguindo a lógica, se tem gente disposta a pagar por armas sempre terá pessoas querendo vender este produto. O tráfico de armas pode ser divido em dois aspectos: legal e ilegal.
Antes abordaremos o tráfico ilegal de armas. Pelas normas da ONU, não um Estado, suas agências ou agentes, assim como empresas privadas devidamente legalizadas, não podem vender armas aos regimes que estão em conflito armado, guerra ou violam, de uma maneira ou outra, os direitos fundamentais de homem. Aprovação de embargo internacional é decido numa sessão da Assembléia Geral da ONU com homologação do Conselho de Segurança. Ao mesmo tempo, o número dos conflitos latentes pelo mundo só tem aumentado, assim como tem aumentado o número dos grupos criminosos dispostos a pagar pelas armas. Ontem o jornal italiano “La Stampa” descreveu muito bem como funciona o esquema do desvio das armas. No ano de 2006, a “Beretta”, uma famosa produtora de armas italianas, recolheu as armas usadas pela polícia daquele país para manutenção. Neste meio período, os Carabineri, fizeram um concurso para adquirir novas armas. Então tendo um bom carregamento, apareceu na sede da “Beretta” um representante da desconhecida “Super Vision International” que ofereceu um bom negócio para exportar as ditas cujas para exterior. Depois disto as pistas das armas sumiram, assim como sumiu essa empresa. Só que no final de 2006, os marines americanos no Iraque recolheram algumas “berettas” . Checada a procedência, as armas ainda constavam como uma propriedade da Polícia italiana. Investigação efetuada pela Promotoria da Itália não deu em nada. Só Deus sabe como estas armas acabaram nas mãos dos guerrilheiros de lá. Fora isto o artigo da proeminente revista mostra que armas e munição de procedência italiana avaliadas em torno de 100 milhões de euros acabaram nas mãos da frente “Cortes Islâmicas” na Somália e mais de 20 milhoes de euros em armas estão em poder dos FARCs colombianos.
O negócio das armas é escandalosamente simples. Vamos supor que um grupo criminoso fictício “Amigos do Morro”, ligado ao tráfico de drogas, levou uma séria derrota no Rio de Janeiro. Perderam se quadros, apoio logístico e armas. O chefe resolve recuperar o perdido. O que ele faz? Importar armas ilegais é caro e não tem muita garantia de chegada. Assaltar a polícia e civis? Também não tem garantia nenhuma. E aí usa-se misto de burocracia e ganância nos meios legais. O chefe da quadrilha começa mexer nos pauzinhos ate ter saída nos produtores e utilizadores das armas. O advogado do traficante ou outro engravatado faz o intermédio. Por um preço acima da média encomenda-se o produto. Vamos supor que são vinte a trinta fuzis. O produtor espera a encomenda parecida das Forças Armadas ou Polícias. Assim que as armas são fabricadas, acha-se “defeito” e armas devem ser destruídas ou “utilizadas”. Então o lote e desmontado chega ao utilizador que coloca um carimbo de que armas foram destruídas. Pronto. As armas desmontadas, são escondidas nos caminhões e chefe dos “Amigos do Morro” tem armas que não são registrados nos cadastros, mas mesmo assim não são menos letais. E ninguém fica no prejuízo. O chefe tem suas armas, o engravatado tem uma polpuda comissão e o produtor fez um bom negócio. Todo mundo ta feliz. Depois falaremos do tráfico legal de armas.