sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Tráfico ilegal e legal das armas

Uma grande pergunta perturba todos os jornalistas, juristas, políticos em quase todos os países do mundo. Por que, depois de passados quase vinte anos do anúncio do fim da Guerra Fria, o tráfico legal e ilegal das armas está crescendo em níveis jamais vistos? Quem são vendedores e quem são compradores. Seguindo a lógica, se tem gente disposta a pagar por armas sempre terá pessoas querendo vender este produto. O tráfico de armas pode ser divido em dois aspectos: legal e ilegal.

Antes abordaremos o tráfico ilegal de armas. Pelas normas da ONU, não um Estado, suas agências ou agentes, assim como empresas privadas devidamente legalizadas, não podem vender armas aos regimes que estão em conflito armado, guerra ou violam, de uma maneira ou outra, os direitos fundamentais de homem. Aprovação de embargo internacional é decido numa sessão da Assembléia Geral da ONU com homologação do Conselho de Segurança. Ao mesmo tempo, o número dos conflitos latentes pelo mundo só tem aumentado, assim como tem aumentado o número dos grupos criminosos dispostos a pagar pelas armas. Ontem o jornal italiano “La Stampa” descreveu muito bem como funciona o esquema do desvio das armas. No ano de 2006, a “Beretta”, uma famosa produtora de armas italianas, recolheu as armas usadas pela polícia daquele país para manutenção. Neste meio período, os Carabineri, fizeram um concurso para adquirir novas armas. Então tendo um bom carregamento, apareceu na sede da “Beretta” um representante da desconhecida “Super Vision International” que ofereceu um bom negócio para exportar as ditas cujas para exterior. Depois disto as pistas das armas sumiram, assim como sumiu essa empresa. Só que no final de 2006, os marines americanos no Iraque recolheram algumas “berettas” . Checada a procedência, as armas ainda constavam como uma propriedade da Polícia italiana. Investigação efetuada pela Promotoria da Itália não deu em nada. Só Deus sabe como estas armas acabaram nas mãos dos guerrilheiros de lá. Fora isto o artigo da proeminente revista mostra que armas e munição de procedência italiana avaliadas em torno de 100 milhões de euros acabaram nas mãos da frente “Cortes Islâmicas” na Somália e mais de 20 milhoes de euros em armas estão em poder dos FARCs colombianos.

O negócio das armas é escandalosamente simples. Vamos supor que um grupo criminoso fictício “Amigos do Morro”, ligado ao tráfico de drogas, levou uma séria derrota no Rio de Janeiro. Perderam se quadros, apoio logístico e armas. O chefe resolve recuperar o perdido. O que ele faz? Importar armas ilegais é caro e não tem muita garantia de chegada. Assaltar a polícia e civis? Também não tem garantia nenhuma. E aí usa-se misto de burocracia e ganância nos meios legais. O chefe da quadrilha começa mexer nos pauzinhos ate ter saída nos produtores e utilizadores das armas. O advogado do traficante ou outro engravatado faz o intermédio. Por um preço acima da média encomenda-se o produto. Vamos supor que são vinte a trinta fuzis. O produtor espera a encomenda parecida das Forças Armadas ou Polícias. Assim que as armas são fabricadas, acha-se “defeito” e armas devem ser destruídas ou “utilizadas”. Então o lote e desmontado chega ao utilizador que coloca um carimbo de que armas foram destruídas. Pronto. As armas desmontadas, são escondidas nos caminhões e chefe dos “Amigos do Morro” tem armas que não são registrados nos cadastros, mas mesmo assim não são menos letais. E ninguém fica no prejuízo. O chefe tem suas armas, o engravatado tem uma polpuda comissão e o produtor fez um bom negócio. Todo mundo ta feliz. Depois falaremos do tráfico legal de armas.

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Resultado da política sega.

Ontem o jornal “Washington Post” publicou um relatório sobre o fracasso da campanha americana no Iraque. Relatou que a legislação fundamental ainda não foi aprovada, não tem formação partidária representativa e não tem capacidade de investimento em projetos de reconstrução. Isto, se não levar em conta os níveis assustadores de corrupção. Até hoje americanos investiram mais de 20 bilhões de dólares no governo iraquiano. Onde está o dinheiro, ninguém sabe. Houve um escândalo grande no mês passado, por causa de extravio de repasse de mais de 10 mil armas para forças de segurança iraquianas. Fora a violência. Fora Al-Quaeda. Fora a pressão diplomática dos outros países.

Na verdade a guerra dos americanos contra Iraque de Saddam Hussein acabou faz quatro anos, ainda em abril de 2003 com conquista de Bagdá e a queda de Saddam. O projeto da Casa Branca era parecido com o plano Marshall que vigorou após Segunda Guerra Mundial que previa os investimentos maciços nos países da Europa Ocidental tanto os ex-aliados quanto os ex-inimigos, para conter o avanço do comunismo. Usando analogias, Washington queria obter aliado incondicional rico, cheio de petróleo. Assim criar-se-ia uma pressão para os regimes hostis no Oriente Médio assim como Irã, Síria ou regimes monárquicos na Península Árabe.
Mas as coisas funcionaram de maneira errada. Em primeiro lugar a construção de um novo Iraque perdeu para luta fratricida entre sunitas e xiitas árabes. Hoje o corpo de governo é ocupado pela maioria xiita. Os ex-funcionários sunitas que bruscamente perderam seus cargos voltaram seus olhos para as milícias, vendo-os como única alternativa de pressionar o governo. As forças policiais saddamistas, compostas na sua maioria por carrascos já não serviam para futuro regime “democrático”. Achar os substitutos até hoje cria dificuldades. A população em geral que já não era rica durante Hussein, depois da guerra e toda confusão que a acompanhava virou completamente miserável. Um bom filão para recrutadores fundamentalistas de toda espécie. Mas os chefes dos clãs começaram a exibir seus AK-s de ouro. De onde vem o dinheiro? De novo, ninguém sabe.

Hoje Iraque para os americanos é como um cachorro grande e mal-criado. Só dá prejuízo, começa morder gente e não obedece os comandos. Mas também não dá para abandonar de vez. Abandonar um país dividido, quase numa guerra civil geral, seria um erro desastroso para imagem dos norte-americanos. Mas também ter como aliado um buraco negro que suga vidas humanas e recursos financeiros imensos, sem mínima perspectiva de recuperação é falta de bom senso. Afinal como os políticos de lá vão explicar para os eleitores a presença dos soldados no além-mar? Ora, a Casa Branca agora tem duas saídas. Uma, retiro imediato das tropas e Iraque que se dane. Outra, colocar alguém como....Saddam Hussein. Alá é sábio.

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Farra é bom, mas com limite.

Ontem na CBN, saiu notícia sobre expansão de crediário no Brasil. Desde 2005, o financiamento dos imóveis, carros e negócios parece mais uma explosão. Os bancos comemoram, o consumidor também. O governo esta feliz - a economia esta crescendo. Os otimistas dizem “É desta vez que o Brasil engata!”

Engata? Pode até ser. Mas expansão do crediário que formenta o crescimento real de economia pode virar uma bolha, bem parecida com americana. Na verdade, o credito ficou barato por causa da queda, ainda que lenta, dos juros. Diminuído os juros, as opções de financiamento ficam mais prolongadas no sentido temporal e prestações ficam mais em conta. Já da para comprar aquele carro, ou adiar reforma na sua casa, fundar ou incrementar o seu negócio. Mas como toda bolha, os bancos não se contentam com o pequeno espaço do mercado. E passam a oferecer o credito atraente às pessoas que não poderiam, em situação comum, contar com financiamento. É o problema dos Estados Unidos. Lá, por exemplo, um trabalhador com salário de 4,500 dólares mensais, com credito amigo pode obter uma casa no valor de $200.000,00. Será que ele poderia comprar um casarão só contando com seu salário? Não. Por aqui o problema poderá ser o mesmo.

O risco envolvido é que dada a volatibilidade do mercado externo, não dará para antever os riscos envolvidos nos contratos de credito durante, por exemplo, para os cinco próximos anos. Se acontecer um vendaval, como a de duas semanas atrás, ocorrerá uma retratação financeira. Os bancos, principais captadores dos recursos financeiros, ficarão com dificuldades, principalmente os bancos menores. A falência rápida dos bancos menores, cria um sinal para os bancos maiores em pressionar os devedores. Mas eles são protegidos por normas contratuais. Aí, para evitar a quebra os bancos vão chorar nos ministérios. Se o governo ficar surdo, ou pior não ter recursos suficientes, começara uma onda de falência, que levará ao colapso do sistema financeiro nacional. Aí já viu, né? Inflação, instabilidade e mais uma mega crise. Nos Estados Unidos e nos mercados desenvolvidos, os governos jogaram dinheiro para parar a crise ainda na primeira fase. Acontece que no país instável como Brasil, a crise poderá ser tão rápida, dado a fuga do capital especulativo, que enquanto o governo se mexe pode ser tarde demais.Então, farreie, mas com cuidado. Veja se seus sonhos batem com suas possibilidades. Os financistas nos bancos são famosos por sua ganância. Esta ganância leva lhes até ingenuidade quase gritante. Mas ao contrários deles, quem costuma pagar a conta é o consumidor do crédito. Afinal, quem não deve, não teme.

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Brasil e Chavez

Sente-se na beira do rio por muito tempo e verá o cadáver do seu inimigo passar” – nota um velho provérbio chinês exaltando as virtudes da paciência. Outro provérbio diz: “Na briga de tigre com leão, o macaco se torna o rei da floresta”, falando sobre astúcia, esperteza e senso da oportunidade. Na política, de vereador até relações internacionais, o uso destes dois provérbios sempre deu bons resultados. Tem também o velho e bom “divida e governe” bizantino, mas resultado depende, e muito, do “imperador”.

A imprensa brasileira com ciúmes acompanha a ascensão de Chavez, o presidente da Venezuela, no cenário latino-americano. Boas relações com Fidel, chegada do Morales, estreitamento das relações com Argentina fizeram com que Chavez ofuscasse a causa brasileira no continente latino-americano. Fora isto, “Coronel” comprou uma briga séria com Estados Unidos, levantado a bandeira do bolivarianismo. Mas, suspeito eu, toda esta retórica é apenas um espetáculo. Venezuela hoje fornece até 25% de petróleo para o mercado norte-americano, o que joga para o governo de Chavez um monte de dólares para financiar os seus projetos. Este jogo é bom para os dois lados. Chavez joga para o público, se abraçando com Fidel, aumenta apoio internacional para o seu governo. Figura dele também é útil para a Casa Branca, que precisa de um contra-peso na região para atenuar a influência verde-amarela. Em compensação, o Brasil nada para o abraço de Tio Sam. Lembram-se a lista dos “amigos da América” onde o Brasil foi incluído? É o velho e bom “divida e governe”.

Na verdade o regime de Chavez nunca foi amistoso para o Brasil. Sim, ele pode ser mais igualitarista, apaixonante e etc., mas nunca foi simpatizante. Daí foram vários escândalos, assim como da expulsão da Petrobrás ou questionamento sobre alguém ser o “papagaio de Washington”. Nossos democratas de carteirinha, assim como o enrolado Renan e outros, caíram bem direitinho na provocação.O governo brasileiro bem que podia dar apoio ao Chavez na sua luta contra EUA. No final das contas, ou Chavez acabará como isolado como Fidel Castro ou terminará como uma vítima do golpe militar ou terá promover eleições presidenciais sem sua participação. A política atual de tapinhas nas costas de frente e bate-bocas verbais, só é bom para os venezuelanos que acusam Brasil de imperialismo. Sem Chavez e seus dólares, os políticos latino-americanos voltarão seus olhos ao Brasil e atividade diplomática no Itamaraty aumentará. Sem outras figuras reais de contra-peso ao Brasil, os americanos terão que se contentar com predominância do “amigo Brasil” na região dada seu peso econômico e sua posição preferencial na América Latina. Chegando lá, da para ampliar sua influência para o além-mar, visto que os ventos na política internacional estão mudando de rumo de novo.

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

New middle class

O artigo da revista “The Economist” que delineava a nova classe média latino-americana, lançou o novo vocabulário economista assim como “new middle-class” e “old middle-class”. A conceituada revista previu que a nova classe média só terá o crescimento e sua valorização como uma nova força política.
Quem é essa nova tribo e qual é a diferença entre com a velha classe média? Classe média comum é composta pelos profissionais liberais, executivos nas empresas e pessoas que atuam no setor público mais de 15 anos e conseguiram acumular uma pequena fortuna em poupança, ações e etc. Geralmente votam nos partidos do centro-direita, como PSDB. A velha classe média forma seus substitutos nos colégios tradicionais e nas universidades públicas. Ou seja, nada de novo no front.

Mas a nova classe média ainda é uma incógnita. O que sabemos que são compostos pelos pequenos comerciantes, funcionários públicos recém-ingressos na carreira e até os casais cujos rendimentos somam em volta de 3,000 reais. Antigamente eram chamados de “classe média baixa”. O crescimento deste segmento aumentou por causa da desvalorização do real no final dos anos 90 e início desta década. Os tradicionais viram que seu sonho estável ficou no passado e o que pior, eles se sentiram mais pobres. O sonho da classe média “consultório-apartamento-carro-casa-de-praia”, ficou inatingível e os filhos ficaram muito mais pobres que seus pais. É essa geração ficou conhecida como “new middle class”. Essa nova classe média é conhecida pelos seu pessimismo em relação estrutural do Estado e sociedade brasileira, porque viram que os atrasos endêmicos destas atrapalham seu crescimento e seu valor dentre os brasileiros.
Existe o livro de grande escritor polonês Stanislaw Lem, infelizmente não lembro de seu nome. A fábula é seguinte: no futuro distante, soube-se que o Sol ia explodir e destruir a Terra. Os governos de vários paises convocaram um grupo de cientistas para tentar resolver o problema. A sociedade, em geral, foi acometida por pessimismo. Apesar de cumprir seus deveres foram promovidas várias manifestações bem no estilo de “Cansei”, estes ficaram conhecidos como “conformistas”. Vamos morrer, mas não vamos fazer nada. Mas deles nasceu movimento terrorista que começou atentar contra cientistas, promover explosões e chamar atenção a qualquer custo. Esse movimento ficou conhecido como “fatalistas” que achavam humanidade deveria ser extinta. No resto do livro o autor expôs a história de luta do pequeno grupo dos cientistas em busca da salvação da Terra do seu iminente destino final. Mas ao que nos importa é a questão de que numa parcela da população onde predomina pessimismo sempre aparecem as fontes da política radical.
Em abril deste ano o Home Office inglês (algo como Ministério da Justiça no Brasil), enviou o relatório ao Primeiro Ministro relatando o estudo que prevê que a partir do ano de 2015 aumentara o interesse dos ingleses médios pelas políticas radicais. Foram citados o marxismo, nazismo, islamismo fundamental e anarquismo. Tudo por causa do lento empobrecimento da classe média. No futuro próximo, nota o estudo, vontade brusca de mudança radical se ampliará do campesianato e proletariado para os setores médios e representará ameaça grave ao regime vigente na Grã-Bretanha. Os atentados recentes em Londres demonstram que seus atores foram não fanáticos analfabetos, mas sim médicos de origem árabe.
Quanto ao Brasil nos devemos ver que descontentamento do “new middle-class” pode gerar dificuldades. Fora greves amorfas dos sindicalistas, já estão surgindo movimentos poderosos, como já citado “Cansei”. Daí pra luta radical dos letrados é um pulo.

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Na encruzilhada econômica

Euforia econômica que começou a partir de 2002 parece acabou em crise cinco anos depois. Mas, ao contrario dos crises anteriores o Brasil tem gordura financeira para agüentar, sem decair nas agravantes de Estado liberal. O Estado agora tem que queimar suas economias adquiridas com saldo exportador positivo, impostos altos e onipresença de Estado.

Agora os analistas econômicos notam que a crise é de importância global. Pois mesmo o governo americano jogou dólares no mercado interno para evitar a quebradeira bancária e baixou a taxa de juros para facilitar a devolução dos créditos, o nervosismo saiu das fronteiras americanas para refletir na economia asiática que vive de importação americana e que gerou expectativa que crise americana diminuiria a o consumo interno. A economia americana que já se acostumou com invasão dos produtos asiáticos baratos sobreviveria, mas para os “tigres” por sua vez, é como um chute no estomago. Basta lembrar que a crise das Bolsas de 1997 ecoou como um trovão. Na Coréia do Sul, o governo caiu, nas Filipinas entraram em atividade os separatistas muçulmanos, na Indonésia o regime ditatorial de Suharto que governava o país por 40 anos foi derrubado por turbas nas ruas de Jacarta. Hong Kong aceitou a soberania chinesa e depois ninguém mais ouviu falar dele.

Por isto é compreensível o nervosismo dos asiáticos. Agora à tarde as Bolsas européias voltaram a operar em alta. Os americanos, parece que, também estão se recuperando. Provavelmente o real na semana que vem voltará a se valorizar. Mas vamos ver.

Agora este nervosismo deve ser aproveitado em favor do Brasil que pode mostrar aos seus oponentes que é um paises confiáveis. O pais que não tem graves antagonismos como separatismo, terrorismo e outros que podem influenciar negativamente os acontecimentos no mundo. Que talvez foi privilegiado no jogo geopolítico, já ficou às margens deste. Assim entrando aos poucos como força econômica, Brasil pode conseguir seu tão almejado crescimento.

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Mercado promissor

Estudando para minha monografia ainda no bacharelado, com dados da ONU, foi interessante confirmar que o tráfico internacional de drogas está diminuindo. Drogas, eu digo, são substancias entorpecentes que causam graves males à saúde humana e tem efeitos em toda sociedade. Pois o crescimento do tráfico, assim como nos conhecemos, começou no final do século XIX, grande parte na China. E nos últimos cem anos só tinha crescido, até que a partir dos anos 80, melhores políticas de coordenação, repressão e medidas de prevenção e tratamento médicos aos viciados por parte dos países receptores das drogas, começou surtir o efeito, ainda que modesto.
Pelo menos nesta parte, a situação é de otimismo cauteloso. Mas a natureza humana é formada assim que o criminoso habitual não irá parar de cometer crimes. Por exemplo, o traficante nunca irá abandonar o tráfico, pensando nos moldes “Pronto, trafiquei bastante, agora vou abrir uma mercearia’. Geralmente, pessoas assim só param de cometer crimes quando são impedidos de alguma ou outra maneira. Assim quando os traficantes procuram outros “mercados” para seus “produtos”. Por exemplo, a queda do Muro de Berlim, possibilitou a sua inserção na Rússia e nos paises do Leste Europeu e da ex-URSS nos anos 90. Mas os paises de lá começaram com as políticas de repressão. Então tem de procurar novos mercados.
O Brasil nunca figurou como grande consumidor de drogas, pelo menos comparado com Estados Unidos ou Europa Ocidental. Nem foi o mais o mais lucrativo, mesmo figurando ao lado dos paises produtores como Peru, Colômbia e Bolívia. Mas no final dos anos 90 e até agora os traficantes internacionais estão abrindo e este “mercado”. Brasil tem várias facilidades em relação a isto. Primeiro, fronteira não-controlada, segundo amplo consumo (pelo menos em previsão), terceiro, abundante mão-de-obra, disposta a trabalhar no trafego. Fora isto, tem facilidades: assim como sistema judicial lenta, e os esquemas de desvio de dinheiro e armas já facilitados pelo criminosos locais. Logística e que não falta.
Acompanhando imprensa, da para perceber o Brasil não só exporta drogas produzidas nos outros paises latino-americanos, mas passa a importá-los também. Pequenas quantidades de heroína, haxixe e drogas sintéticas são apreendidas nas fronteiras. Talvez os traficantes das redes internacionais estão introduzindo drogas estranhas como uma amostra gratis para mostrar o seu produto, vendo se “pega ou não”.
Quando eu cheguei ao Brasil, palavra “maconheiro” soava como pessoa muito degradada. Poucos eram e geralmente eram criminosos perigosíssimos. Mas hoje as drogas estão em toda parte. E o mercado está se abrindo.

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Direito de resposta

Prezado Vassili,
Quando discutimos sobre a troca de comando da crise aérea, lembre-se que afirmei que com a posse de Jobim a crise seria de certa forma "diminuída" no aspecto midiático. É bastante claro, é só acompanhar a Grande imprensa, que o foco do desgaste nos aeroportos foi transferido para as soluções de Jobim para o caos aéreo. Entenda, portanto, que a "solução" a que me referi diz respeito ao fato de que a sociedade sentirá menos peso na questão áerea enquanto receptáculo de notícias. Isso não quer dizer que os vôos deixarão de atrasar, entre outros problemas advindos da má gestão. A Linha Editorial foi quem transferiu esse foco, segundo os seus interesses. E nesse novo direcionamento há, sim, questões políticas.
Raildon Lucena.

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

Conselho atrasado

Quando eu estudava Direito em Moscou nos tínhamos uma disciplina interessantíssima, chamada como “Direito constitucional dos paises muçulmanos”. Ou seja, uma disciplina que englobava todos os Direitos, de Marrocos até Indonésia; foi lecionada por Rashid, um professor iraquiano que fugiu do regime de Saddam Hussein, e Omar, seu assistente sírio. Na época a Guerra do Iraque era iminente, mas ainda não aconteceu e indagado sobre o futuro de seu país, o Doutor em Direito respondeu que o Iraque só sobrevivera como unidade sob regime igual ou pior que de Saddam ou “acontecerá matança generalizada”.

Velho professor sabia do que estava falando. Quase todo dia, acontece uma explosão que leva dezenas de civis. Pelas estimativas, desde invasão a Guerra levou mais de 100 000 vidas entre iraquianos e aliados, sem que fim pacífico esteja ao alcance. Em todo mundo gira aquela pergunta: Será que o problema tem solução? Não é melhor deixar o Iraque à própria sorte? Os americanos e britânicos acenaram com um possível acordo aumentando o papel da ONU na região. Isso depois que em 2003 o veto do Conselho da Segurança desta Organização foi solenemente ignorado.

Os antagonismos na sociedade iraquiana são milenares. Dois terços dos iraquianos são árabes, outros, em sua maioria, são curdos. Curdos depois da invasão viram uma chance única em construir seu Estado tão almejado. Dois terços são árabes na sua maioria xiitas, outros são sunitas que são mais ricos. A região da predominância xiita é o sul do país que sempre foi almejado pelo vizinho Irã.

A criação do Estado curdo é maior pesadelo da Turquia onde vive a grande comunidade curda. Ancara com todo os meios possíveis resiste a atividade curda no Iraque, que leva a tensão com seus aliados na OTAN e Comunidade Européia. Alem disto, os curdos mantém relações amistosos com os russos e americanos complicando ainda mais o situação diplomática. Os xiitas são amparados por iranianos e aos sunitas só resta abraçar as causas da Al-Quaeda.
E democracia onde fica? Bom, simplesmente não fica. No oriente idéias democráticas não vingam porque a idéia do “individuo livre” é substituída por conceito de “família” ou “clã”. Família ajuda e ampara e o clã protege os interesses. Em tese é possível construir um país relativamente justo nos valores “tradicionais”. Mas o Estado não será uma República Federativa, assim como o Brasil. O povo que vive lá é tão diferente que união só era possível pela força das armas ou pelo terror generalizado como no regime de Saddam Hussein. Uma saída possível seria uma confederação nos moldes da Suíça primitiva. Onde cada comunidade viveria no seu próprio estado, com sistema jurídico próprio, exercito e polícia e etc. Único elo entre estes estados seria os interesses externos. Isto, ao meu ver evitaria o derramamento de sangue e ao mesmo tempo protegeria os interesses de todos os jogadores mundiais.

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Catolicismo

A quantidade de seitas e ensinamento cristãos já tinha ultrapassado qualquer limite tolerável, quando o imperador romano Constantino resolveu a institucionalizar a cristandade. Para este fim ele convocou, em cidade na Ásia Menor no ano de 325, um concílio universal a fim de harmonizar as regras e criar uma única Igreja em Cristo. Bom, como toda criação de seres humanos, o Concílio de Nicéia acabou em confusão e escândalo, com expulsão de Ário, um clérigo que, ao perder vaga de bispo de Alexandria, fundou seu próprio ensinamento cristão. Ário, ao ser expulso do Concilio, contestou os resultados, incluindo aí o Novo Testamento, provocando a ira dos bispos católicos (aqueles que reconheceram os resultados niceanos), e do Constantino. Também foi contestada severamente, a figura do imperador e seu papel no entronamento do papa.
Mas com passar do tempo e tendo em vista todos acontecimentos históricos, a igreja católica foi divida, nominalmente, em duas partes. O Imperador do Ocidente cuidava do trono de São Pedro (daí o papa proclamou-se como “o Patriarca do Ocidente”), e os imperadores do Oriente empossavam o patriarca de Constantinopla. Essa harmonia durou até Justiniano que, reformando o Império Bizantino, proclamou seus direitos ao trono papal. Na verdade, Justiniano tinha tendências teocráticas pretendo ser controlador único tanto do Império Romano quanto da Igreja, que por algum tempo ele conseguiu. Durante séculos V, VI e VII os papas foram todos oriundos de Constantinopla. Enquanto o imperador era forte, a resistência dos bispos do Ocidente foi duramente debelada. Mas a bomba de cunho político – administrativo, que Justiniano armou, explodiu com ascensão de islã, e os imperadores cristãos do Oriente passaram-se a ocupar-se exclusivamente com questões regionais.
Neste entretempo a Europa Ocidental mergulhou na verdadeira idade das trevas. Tem-se poucas notícias de influência papal centralizada entre os séculos VI e IX depois de Cristo. O cristianismo perdeu para o Islã os reinos da África do Norte, a península Ibérica e chegou até França, onde foi debelado pelo Carlos Martel. A igreja católica foi duramente atacada pelo arianismo......

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Dúvida cruel

Notícia ruim passou despercebida pela imprensa mundial e local. Só alguns analistas escreveram sobre ela. O problema em questão é divida interna americana. No ano passado, o Congresso americano autorizou o déficit orçamentário, desde que o valor da dívida interna crescesse até atingir 9 trilhões de dólares. Em julho deste ano divida arrolada chegou a este valor e Casa Branca ficou diante da ameaça da falência técnica, traduzindo, sem dinheiro para cumprir deveres impostos pelo orçamento aprovado.
Governo Bush irá fazer de tudo para convencer o Capitólio elevar a “fronteira”. Outros meios de cobrir o rombaço nas contas ficam aquém da política de detentores de Casa Branca.
Primeira e urgente medida seria de cortar os gastos militares, como concordam todos especialistas. Os gastos nesta área já superam patamares da Guerra Fria. Orçamento militar americano supera os outros 10 orçamentos gastos nos outros paises. E continua crescendo, mais por causa do Iraque. Apesar de evidente discrepância, o governo não pode reduzi-los, até por causa do fortíssimo lobby das companhias americanas ligadas ao setor da Defesa, a quem interessa o inflado orçamento militar.
Outra medida e muito impopular, por sinal, é aumentar os impostos. Logo antes dos ataques de 11 de setembro de 2001, na época de bonança, Bush diminuiu os impostos para as camadas ricas e medias da sociedade americana. Aumentar impostos, já para combalido governo é igual suicídio, pois não deixará nenhuma chance para os republicanos nas eleições do ano que vem.
Existem mais medidas, mas de cunho intra-econômico e que não nos interessam. Mas dá para ver que Bush não arredará o pé e vai pedir para o Congresso o poder para aumentar a divida. Mas com notícias destas os papeis dos americanos continuam se desvalorizando e são comprados por chineses.
Os economistas brasileiros estão coçando a cabeça sem saber o que fazer. Por um lado, na economia mundial o dólar está se desvalorizando e perdendo a sua importância. As reservas do Banco Central da Rússia que atingiam até 80% em moeda norte-americana em 2003, hoje já não passa de 48%. China, maior detentoras dos papeis do governo norte-americano desde 2005 opera com euros. Fica situação ambígua, mesmo com dólar barato vindo em abundância, Brasil está ficando mais pobre em valores absolutos. Mas o BC não pode investir em euro, pois este anúncio traria tempestade nos mercados internacionais e poderia seriamente estragar as relações com EUA, mas também não pode confiar em dólar, por que em caso de crise orçamentária americana, as reservas diminuiriam e país correria serio risco de ficar na pindaíba, com volta da inflação, crise econômica e outros choques. Até Aécio Neves, talvez o futuro presidente deste país, devia ficar preocupado, pois esta bomba pode detonar nas mãos dele.