terça-feira, 3 de julho de 2007

Sobre questão aérea...

A vida dos aeroportos brasileiros depois da tragédia acontecida em setembro do ano passado, esta ficando com ares de uma farsa. Hoje foi o nevoeiro que fechou os aeroportos de São Paulo. Em Guarulhos, o maior portal de entrada no País, todos os vôos foram atrasados, já agravando a situação do apagão aéreo que se arrasta por quase um ano. Toda semana o noticiário nos presenteia com imagens das pessoas dormindo em tudo que é canto e brigando com as atendentes.

Ora, nossos parlamentares deviam prestar mais atenção nesta crise ambulante, já que a Aeronáutica prefere prender controladores e brigar com ministro da Defesa, volta e meia, acometida pelos arroubos saudosistas dos tempos de regime militar. Disciplina, sim, estava em alta naqueles tempos, mas o resto ia mal das pernas. Congresso devia logo destituir Renan Calheiros do seu mandado e entregá-lo a Justiça, para desocupar pauta para solução da crise nos aeroportos. No meu ver o problema consiste em dois aspectos: institucional e administrativa. Aspecto institucional consiste em desmilitarizar o controle aéreo. Hoje, a maioria dos vôos são controlados pelos militares, o que não seria muito preocupantes. O problema é outro, tem poucos controladores em carreira militar que são encarregados em vigiar todo espaço aéreo brasileiro. Mas intensidade de vôos sobre São Paulo e, por exemplo, em Roraima, é muito disparo. O governo devia em regime de urgência convocar concurso público para preencher vagas dos controladores que estariam obedecendo as regras de trabalho civil passando pelo treinamento intensivo. Ao mesmo tempo, também deviam estar preparados novos radares que poderiam vigiar somente as rotas de aviação civil. Assim os militares ficariam livres para cumprir suas tarefas, ajudando aos seus colegas nos horários de maior congestionamento. Ao longo prazo devia se estabelecer o plano de desenvolvimento dos sistemas de acompanhamento até 2050, visto que as projeções da intensidade de vôos de aviação civil apontam o crescimento constante, até mais ou menos esta data.
Aspecto administrativo. Os aeroportos brasileiros são administrados pessimamente. Esta administração não é vista pelos passageiros, mas é muito sentida por todos nos. Nenhum aeroporto nacional esta preparado para receber novos tipos de aviões do Boeing ou Airbus (que começaram a ser desenvolvidas mais de dez anos atrás), e supercargeiros (tipo Ruslan e Antei russos e Mria ucraniana). Hoje já estão em pesquisa e desenvolvimento novos aviões supervelozes que exigirão dos aeroportos total mudança de infra-estrutura. Outro aspecto incomodo que existe só um aeroporto que atende toda demanda de vôos, tanto nacional quanto internacional. Se em Natal, isto não é preciso, em São Paulo os aviões fazem fila para decolar. Lembro que o avião que levava minha avó para Moscou, ficava logo na frente da nave que carregava meus pais de volta para Natal. Situação impensável. Nos grandes centros tem que ter vários aeroportos. Uns atendem a demanda nacional, outros internacional, e terceiro atende cargueiros. Facilitaria para todo mundo.
No final, este apagão aéreo corre risco de virar uma escuridão total e completa. A tragédia virou piada com final sem graça. Vamos enfim para de discursar e começar trabalhar. O povo agradece.

2 comentários:

Anônimo disse...

A piada mais sem-graça de todas é o pouco-caso que o Governo Federal parece emitir sobre o problema. Não é a primeira vez que o presidente Lula fala aos meios de comunicação que essa situação precisa ser resolvida. A Ministra do Turismo faz galhofa com a desgraça alheia e, ao que se vê, fica tudo na mesma. As imagens de pessoas dormindo nos aeroportos e reclamando desses péssimos serviços se tornaram clichês. A coisa toda parece desandar para um estado de caos. Medonho!!!

Vassili (Gliuksinner) disse...

Sim. A raiz da problema está em ação. Sim, ação. Quando aparece um acontecimento, autoridades capacitadas devem apresentar soluçoes rápidas e optimais, que ajudarão conter o problema. O nevoeiro em São Paulo acontece todo ano. Mas só neste ano a obra de Deus, foi apontada como causadora do dos atrasos. É como a falta de chuvas aqui no Nordeste. Todo ano tem, e todo ano é uma surpresa.