terça-feira, 6 de novembro de 2007

Comentarios sobre a exposição "Cosmos: Três Olhares Sobre a Rússia"

Fiquei feliz em achar o comentário do meu querido Diógenes Moura (Curador da Pinacoteca de São Paulo) na internet. O texto abaixo foi escrito em uma parede na exposição que tive a honra de ver quando estive em São Paulo.
VI
(Cem gramas de vodka e o amor)

Andrei Barinov Gurgel é filho de mãe russa e pai brasileiro. Seu pai, inclusive, já foi prefeito de Caicó, uma cidade no interior do Rio Grande do Norte. Por isso a intimidade com o português. Tão íntimo que até foi capaz de nos tratar carinhosamente por “véio”. Sua família até hoje vive em Caicó. Ele também já viveu lá. Voltou para estudar Medicina. Em Moscou a Universidade é grátis. Depois de formado, vai se mandar. Andrei foi um dos nossos guias. Foi ele também que nos levou para conhecer a casa dos seus avós. Pegamos um bonde, eu, Ricardo Barcellos e Luiz Gustavo Dias que nos acompanhou no projeto captando imagens para seu filme, A Marcha. O bairro chamava-se Izmailovo, ficava a cerca de 40 minutos do Hotel. O trajeto foi, de certa forma, um encontro com o passado. O bonde parecia uma grande sala de estar. Mesmo que aquelas pessoas não se conhecessem, elas falavam, umas com as outras, sobre suas histórias. A maioria tinha mais de 60 anos. Uma senhora, sorrindo muito, disse que preferia Moscou de 15 anos atrás, “quando as pessoas eram mais amorosas”. Disse, também, que antigamente “as mulheres se vestiam todas diferentes umas das outras, porque faziam suas próprias roupas” e que quando elas voltavam da Europa, com seus anéis de ouro, eram consideradas importantes: “Hoje não é mais assim. As mulheres estão todas iguais”. Também sorrindo, um homem, cerca de 80 anos, contou que era vigia do laboratório onde estava “guardada” a primeira bomba atômica. Ficou na ativa durante 45 anos. Agora estava aposentado, “mas nunca matei ninguém por encomenda”.

Depois do percurso no bonde caminhamos entre pequenos pátios até chegarmos ao prédio com cinco andares que possivelmente será demolido pelo governo de Moscou para que outro, muito mais alto, seja erguido. Aliás, Moscou parece uma cidade em construção. A impressão que temos é a de que vai surgir uma cidade dentro da cidade que já existe. O Coronel do Exército Vermelho Vassili Ivaninoviech Barinov, 85 anos, e sua esposa, a médica Maria Vassilievna Barinov, 82 anos, nos recebeu ao lado de Pushok (peninha), o gato. Ele nos disse que dentro de casa não se usa chapéu. Aquele encontro seria, para mim, um dos momentos mais comoventes de toda a viagem. Primeiro o casal, que é casado há 56 anos, posou na frente do tapete que cobria grande parte da parede da sala. Ao lado, sobre uma peça de madeira escura, retratos da família. Os russos têm uma relação muito profunda com os seus: as fotografias de família sempre então emolduradas nas estantes, nos móveis, em cima do piano. Imagino que seja uma forma que encontraram para não se perderem entre si, muito menos dentro da sua própria memória. Depois de algum tempo, Barcellos fez um retrato de Vassili Ivaninoviech fardado, coberto por medalhas e orgulho. Ele havia defendido Leningrado, hoje S. Petersburgo, durante a Segunda Guerra Mundial. Entre uma palavra e outra nos disse que precisou “se defender” ou perdia a própria vida. Numa guerra sabemos o que significa “se defender”. Para livrar-se do frio bebia 100 gramas de vodka por dia.

Quando Alexander Púchkin escreveu A Filha do Capitão foi considerado, ele e sua prosa, um grande poeta. A narrativa psicológica que nos envolvia dentro daquela casa, na periferia de Moscou, sugeria uma “aproximação” que me fez perceber, silenciosamente, como a poesia é definitiva para a história da Rússia e como esteve presente, como uma “luz flutuante”, em seus piores momentos. Havia uma “guerra” entre nós, ali, naquela sala, um sobrevivente, suas medalhas, a porta aberta para desconhecidos, a mesa posta. Era uma situação profundamente literária.

VII
(Estejam como em casa)

Maria Vassilievna nos avisou que era chegado o momento de passarmos para a cozinha. Sobre a mesa, talheres de prata, taças de cristal, os pratos que haviam sido especialmente estampados para as bodas de ouro do casal, suco de pão preto, caviar vermelho, vodka, os pepinos, as batatas. Elas, as katoskas. Então voltemos para a primeira imagem vista do avião: a grande maquete. Aquelas não seriam as vilas que formaram Moscou, mas, sim, as datchas, as casas de campo. Maria contou que toda família russa ou tinha uma dactha ou tinha vontade de ter e que as batatas sobre a mesa haviam sido plantadas e colhidas por eles: “Ninguém sabe o que é prazer se não comer a batata russa”. Primeiro Vassili Ivaninoviech serviu a vodka. Depois falou que era um prazer para eles a nossa presença (“Estejam como em casa”) e deu início ao ritual: o pequeno cálice com vodka de um só gole, depois um pedido e uma mordida no pepino. Tudo repetido cinco vezes. Cinco palavras, cinco goles, cinco pedidos, cinco mordidas. Há uma fotografia em que Barcellos conta essa história. Há uma lembrança dentro de mim que transformou aquele sábado numa prosa puchtiniana.

(Na volta para o hotel, uma senhora, a partir do nada começou a gritar dentro do metrô alguma coisa que não conseguíamos entender. Pensei em tudo: fome, saudade, medo, uma bomba, um atentado. Não era. Sem gestos, ela protestava contra um casal que se beijava à sua frente. Dizia que aqueles afetos deveriam ser trocados entre as quatro paredes das suas casas (a deles).)

VIII
(A liberdade quando se deseja)

Há algo assim, perdido no tempo, em Moscou. O que foi o passado, o que ele significa para os mais velhos e o que é o presente onde a juventude tenta se encontrar e se olha no espelho. Vê refletido em seu rosto um tempo que poderá ser ainda mais perverso, quando pronunciamos a palavra que o mundo contemporâneo inventou para amenizar muito mais os seus defeitos que as suas compensações: globalização. Moscou se esparrama também diante desse drama. Quem vencerá? Maria diz que é “rica e feliz porque tem seus netos e que o futuro tem que ser cada vez melhor.” Vassili diz que “apesar de tudo, somos russos de verdade e que para conhecer a verdadeira natureza russa tem que deixá-los com raiva: nenhum país conseguiu deter Hitler, só a Rússia.”

Texto por Diógenes Moura

Fonte Blog de Fernando E. Aznar

Algumas fotos da exposição podem ser vistas aqui!

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

A morte pede carona

'53.10
Essa notícia deixara os nossos fãs da Toyouta tristes. O jornal suéco Teknikens Värld, durante testes de pista, revelou que o pickup grande da marca sofre da falta de estabilidade nas curvas, ou seja, pode capotar com facilidade na grande velocidade ( no vídeo o carro quase capotou as 57 km/h). Os jornalistas que testavam o carro revelaram que Hilux representa "....o perigo mortal para a vida".
A Hilux foi testada com os outros cinco veículos deste porte. Pena que eu não consegui descubrir quais são as outras. Mas fica recado, quem quizer comprar uma Hilux, fique de olho, quem já comprou, então ande com menos de 60 km/h.

UPD: O link para o vídeo do teste é este: http://www.teknikensvarld.se/tvtv/071031-toyota-hilux/ quem entende suéco, é melhor ainda.

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Crise do Parlamentarismo

O tsunami de escândalos continua varrendo o Congresso Nacional. Todos nos reparamos que ao passar dos anos não diminui o número das denúncias, mas aumenta o número dos escândalos esquecidos. Já estamos esquecendo até o “Mensalão”, quanto mais, os escândalos mais velhos.
O poder legislativo, e não somente no Brasil, parece fadado a ser o centro da corrupção e outras falcatruas no Estado. Parlamentos são órgãos colegiais, compostos por deputados, senadores e outros delegados, eleitos muitas vezes pelos esquemas confusos que muitas vezes aproveitados de todo tipo de trambiqueiro e fraudador. O próprio meio de legislar, é um processo solene e demorado e favorece todo tipo de “jeitinho”. A Constituição e legislação orgânica raramente determinam o quanto tempo o projeto de lei deve passar para se tornar uma Lei vigente.

No meu tempo cursando o mestrado, nos tínhamos a disciplina chamada “Problemas atuais do Direito Constitucional” e entre estes problemas, existia o chamado “Crise do Parlamentarismo”.
O professor lecionador defendia a tese que nos paises que nos chamamos de “Democracias Ocidentais”, existe uma forte “crise de identidade” do Poder Legislativo. A própria idéia de parlamentarismo foi plenamente concebida no século XIX durante a Revolução Industrial, quando a burguesia procurava se desvincular-se do poder absoluto real. A vida não era tão agitada e os ritos solenes e demorados eram apropriados para construir uma base legal sólida e imparcial. Então no final do século XIX e início do século XX graças aos Parlamentos inglês, francês e alemão, foi construído o embrião de todo Direito ocidental atual. Durante a Guerra Fria, os parlamentos, graças a suas garantias evitaram a migração dos regimes ocidentais ora para o conservadorismo reacionário ora para revolução comunista.

Mas hoje, em pleno do século XXI, com a vida, em todos os seus aspectos, dinâmica, o parlamentarismo como instituição viu-se na condição de refém da sua solenidade e suas garantias. Hoje as funções típicas do Parlamento, que são legislar e fiscalizar são cada vez mais assumidas pelo Executivo e Judiciário. Executivo, cada vez mais, exerce seu poder atípico de legislar pelas normas semelhantes a da Medida Provisória brasileira e o Judiciário exercendo o seu poder moral do representante da Justiça, passa a exercer o papel de fiscalizador máximo.
Nestas condições, falava professor, pouco a pouco os parlamentos verão seu papel reduzido na vida do Estado. Será como o Conselho dos Anciãos onde o povo se reúne, discute e vai embora sem resultado algum. E eu concordo plenamente.


terça-feira, 2 de outubro de 2007

Transporte em Natal - medidas para futuro

Pelas estatísticas do IBGE em 2020, a cidade abrigará quatro milhões de habitantes ou 50% por cento da população do Rio Grande do Norte. Isso é bom, pois possibilitará o crescimento populacional e econômico. Mas como todo crescimento traz inúmeros problemas não somente para prefeito e vereadores, mas também para os natalenses como um todo. A começar pelo motivo, que a imigração é composta na sua maioria pelas pessoas pobres, para não dizer miseráveis, de baixa escolaridade o que contribui para favelização da cidade e aumento dos índices da criminalidade, mendicância e etc.

Mas hoje eu não falarei disto. A minha preocupação Natal é uma das cidades brasileira que se encontra em franco crescimento. maior sempre foi o conforto e facilidade do transito local. Ora, já hoje, voltando ao trabalho eu enfrento o engarrafamento de 30-40 minutos, imagine como será daqui a quinze anos. Natal vai sofrer um colapso.

Temos muitas soluções. Primeira e mais importante é desmunicipalizar a Zona Norte, ou seja, Zona Norte deverá se tornar uma cidade a parte. E será uma das maiores do estado. Assim, no meu ver, reduzir-se-ia, o número das pessoas trafegando para o trabalho e de volta pegando Bernardo Vieira e ponte de Igapó.

Quanto às pontes, eu discordo do meu pai que não perde a chance de criticar o governo por causa da construção da ponte da Redinha. É uma obra eleitoreira? Pode ser. É uma obra que esta falindo cofres públicos. Também não discordo. Mas acredito que a ponte trará grandes benefícios à cidade e sua infra-estrutura. A Prefeitura de Natal devia se preocupar também com ampliação da ponte de Igapó. Mas o uso das pontes só se for mediante pedágio. O pedágio deve ser obrigatório para todos os carros, excluindo veículos da polícia, bombeiros e ambulância. Carros oficiais só passariam pela ponte sem pagamento de pedágio, só em caso de emergência. Governador(a) que passar pela ponte? Pedágio nele(a). Carros do governo (sem distinção), das pessoas jurídicas e etc. poderiam solicitar no STTU um passe semestral ou anual, para não enfrentar eventuais filas. Um passe mensal ou trimensal, também valeria para os carros e motos particulares. Cobrança do pedágio seria diferenciada. É lógico que as motos pagariam menos do que carros. Horário da passagem pelas pontes também valeria, dependendo da hora e do dia.

Transporte público. Começando pelo Bernardo Vieira, aos ônibus, transporte escolar e universitário, e dos outros municípios, nas grandes avenidas, do tipo Salgado Filho, Prudente de Morais, Rio Branco em toda sua extensão, devem ter sua própria faixa, os espertinhos que usarem a determinada faixa para tráfego, ultrapassagem e parada, serão multados sem dor. A faixa do transporte público deve ser livre, mesmo quando o resto da avenida seja engarrafado.

A situação do transporte público em Natal é precária. Os ônibus parecem com uma fornalha, abarrotados de gente. Andar de ônibus hoje é um misto de acrobacia e sobrevivência. Motoristas de transporte público, apresentam o mínimo respeito pelo Código de Transito Brasileiro, andando agressivamente, tirando os demais veículos das suas faixas. Fora isto, parece que não existe, pelo menos na minha visão de passageiro, o horário fixo para o trafego de transporte público, imprescindível para o bom funcionamento deste. Pode-se levar mais de uma hora de espera quando precisa chegar da Zona Norte ao centro da cidade.
Soluções são muitas e muito custosas. Hoje, através da licitação, uma empresa obtém uma rota, sendo que ao entender da empresa fica a intensidade da rotação dos ônibus, o horário do funcionamento e etc. Então isto causa muitos transtornos aos passageiros que não sabem não só o horário do transporte público, até que horas os ônibus fazem a sua circulação. Solução não é difícil, mas é trabalhosa. Em primeiro lugar, precisa licitar novas rotas. Em segundo lugar, definir horário de tráfego e intensidade de rotação. Por exemplo, nos lugares de maior concentração de gente, o intervalo entre os ônibus não deve ser maior que cinco pessoas. Nos lugares mais distantes, o intervalo pode ser de trinta minutos, desde que tenha um horário fixo, previamente fixado e disponível, pode ser até na Internet.

Quanto à questão material, os ônibus com cobradores são obsoletos por natureza. O exemplo da Curitiba em relação ônibus-passageiro é mais do que certo. O passageiro paga sua passagem antes de entrar no transporte, aguarda e entra utilizando não só uma porta, todas as duas. Mesma coisa para sair. Hoje existem ônibus muito mais viáveis, maiores, com três ou quatro portas. Fora isto, levando em conta o clima natalense, o transporte deve ser equipado com ar-condicionado e vidros escurecidos. Todos os ônibus devem ter um rádio, para comunicar com rapidez qualquer acontecimento, assim como uma falha mecânica, acidente, crime e etc.

Só assim garantiremos ao transporte público o conforto, rapidez e precisão necessária. Então muita gente vai deixar de fugir do transporte público, como diabo foge da cruz. E, pelo menos, nos dias de trabalho deixar seu carro ou moto na garagem. E é altamente recomendável a prefeitura municipal e ao Governo do Estado pensar em implantação do metro ou malha dos trens urbanos e intermunicipais.

Último ponto deste artigo é referente à restrição da circulação dos caminhões de grande porte na zona urbana. Por serem grandes, e terem dificuldade de manobra, muitas vezes criam engarrafamentos. Os caminhões que carregam combustíveis são altamente perigosos em caso de vazamento e incêndio. Então deve ter o horário certo quando esse tipo de veículo circula pela cidade. É geralmente de noite e madrugada, das 20:00 até 7:00 da manha. Os lojistas e donos dos postos de gasolina deviam se programar para receber estes caminhões de madrugada.

Finalizando, eu quero dizer que nada tenho contra transporte particular, carros ou motos, até porque eu ando em um. Mas nos devemos entender que Natal não é feita de borracha, e para evitar o colapso total do transporte no futuro e garantir a preservação da civilidade, nos devemos pensar em medidas que não são populares, mas que são de necessidade urgente. Afinal, o que é bom para um não necessariamente é bom para todos, mas o que é bom para todos é sempre bom para um. É a regra.

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Direito Internacional Público - crise?

Na situação de hoje, a proliferação das armas nucleares é das maiores preocupações dos lideres mundiais. Assim que um país passa a dispor armas nucleares, aumenta o risco de uma catacombe atômica. Principalmente nos países como Índia e Paquistão que contam com regimes instáveis e onde ampla parcela da população é adepta do fanatismo religioso, incluindo os funcionários e agentes do governo. De acordo com cálculo da Jane´s (Instituto Americano de Segurança), no conflito armado ambos os países, eminentemente, utilizarão seus arsenais nucleares, que provocara morte instantânea de cerca de 200 milhões de pessoas, impacto ambiental irreversível e incalculável, e levará centenas milhões de pessoas a buscar refugio nos outros Estados, o que pode provocar uma onda migrações jamais vista. Ou seja, o cenário é apocalíptico. Devemos também lembrar de possibilidade de terrorismo nuclear, já que construção de uma bomba atômica não é mais segredo para ninguém. Então o Acordo, que tem quase 30 anos de existência, ficou muito obsoleto. Mas, as partes interessadas, pouco ou nada fazem para atualizar e de vez proibir proliferação das tecnologias que levam a criação deste tipo de armamento.

Segurança mundial é importante para rever o sistema do Direito Internacional, mas não é o único. Cada vez mais, os países desprezam os mecanismos da Organização das Nações Unidas, preferindo agir sozinhos. Em 2003, quando o Conselho da Segurança da ONU vetou a operação das forças armadas dos EUA e seus aliados, americanos resolveram agir por conta própria. Desde o primeiro momento deste conflito armado, todo sistema construído a partir de 1945. Mas hoje, quatro anos depois, Iraque ainda está em guerra, dilacerado por conflitos entre as facções étnicas e religiosas.

A crise do Direito Internacional é evidente em várias frentes, não só nestes que foram demonstrados. Estados que não ratificam seus acordos assinados, Estados que ratificam acordos, mas os não cumprem, a lista é extensa. Falta ao Direito Internacional Público, mecanismos de obrigação, ou seja, uma instância judicial que pode resolver os conflitos existentes. No Tribunal Internacional da ONU, hoje é julgado quem voluntariamente se submeter à jurisdição da corte. Se não, fica sem julgo. No caso do Direito Público, se toda nação que fizesse parte das Nações Unidas, fosse obrigatoriamente submetida a jurisdição da Corte, as nações teriam convivência muito mais harmônica.

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Direito Internacional moderno - crise?

No final da Guerra Fria e início do processo acelerado da globalização, muitos acadêmicos pensavam que o valor do Direito Internacional, seja ele de origem pública ou privada, será mais relevante nas relações intergovernamentais e interpessoais (incluindo aí o Direito Internacional Privado). Eles estavam certos, mas só em parte. Com ampliação dos blocos econômicos e desenvolvimento dos laços de cooperação, o valor do Direito Internacional Privado, cresceu substancialmente no Direito Privado Nacional.

Mas tendo Direito Internacional Público como referência de excelência já é mais problemático principalmente após 11 de setembro de 2007. Nos anos setenta foi assinado e ratificado por muitos países o Acordo de Não-Proliferação das Armas Nucleares, incluindo aí o Brasil. Notem, que o acordo proíbe o uso da energia nuclear para fins militares e o país que ratificar o acordo, compromete-se a cancelar todos programas nucleares militares existentes, mas pode desenvolver dadas tecnologias para fins pacíficos. Nos anos 70, antes da entrada em vigor deste tratado, quatro países detinham as armas nucleares: EUA, URSS, Grã-Bretanha, França. China tinha sua bomba atômica, mas não tinha meios de lançamento. Programas em desenvolvimento já existiam no Israel e África do Sul. No Brasil, Argentina, os governos militares já cogitavam seriamente o desenvolvimento dos armamentos em questão. Com entrada do tratado em vigor, África do Sul abdicou dos seus armamentos, Brasil e argentinos aceitaram, a muito contra-gosto, ser zona livre da armas nucleares. No caso de Israel, todo mundo sabe que o país tem bomba atômica desde a década de 70, mas o governo israelense, se recusa até hoje aceitar o fato da sua existência. China entrou no clube atômico mais tarde, sob promessa de não vender suas tecnologias.

Durante vinte anos, o acordo de Não-Proliferação foi mais ou menos cumprido. Para América Latina, esta decisão foi ainda mais benéfica, pois o continente se livrou de ser uma fonte de tensão desnecessária. Mas o problema foi a China que não cumpriu sua parte de acordo e possibilitou que as armas nucleares começaram a ser desenvolvidas na Coréia do Norte, Iraque de Saddam Hussein e Paquistão. Todos estas tentativas resultaram numa crise séria, principalmente o caso de Coréia do Norte e Paquistão.
Continua....

terça-feira, 25 de setembro de 2007

O valor da tolerância

A democracia é, antes de tudo, um estado de tolerância. Ante a liberdade, ante os direitos, para construir uma sociedade democrática é preciso aprender a ouvir e aprender a respeitar, seja quem for, amigos ou inimigos.

Ontem, o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad se apresentou na respeitada Universidade de Columbia. Todos nos conhecemos que os ambientes acadêmicos são silenciosos, quando alguém se apresenta, é dado maior espaço possível, não importando o assunto e seu respaldo polêmico, e as discussões costumam acontecer no maior respeito possível. Mas antes de apresentar o presidente iraniano aos estudantes, o reitor da dita universidade Lee Boilinger esnobou Ahmadinejad falando que “....exibe todos sinais de cruel ditador” e que suas afirmações “são ridículas”. Não é uma boa maneira se apresentar. Durante o discurso o presidente foi interrompido por vaias e risos.

É certo que Mahmoud Ahmadinejad, não é simpático aos americanos. Também é correto afirmar que o regime iraniano traz instabilidade à paz no Oriente Médio como no mundo em geral. Mas o foco não é aí. Pode se ter certeza que os americanos, principalmente os intelectuais se declararam ontem intolerantes, comparando se assim com nazistas e comunistas, que também tinham suas problemas com a compreensão.

O problema do mundo ocidental, que é quase imperceptível aqui, que a democracia que prevê a igualdade das liberdades, opiniões e razões se transformou numa ideologia, como qualquer outra. A sociedade enaltece a democracia, perde a sua visão crítica e se torna fanático. Acredita que o regime democrático é supra-sumo da civilização humana, que os valores democráticos (sem saber quais são estes valores, por sinal, por sinal). Seria até bom perguntar se um bilhão de muçulmanos ou chineses são todos antidemocratas roxos que dormem e vêem o mundo “livre” ser destruído. Suponho que não é bem assim.

A ignorância e intolerância e geralmente terminam em tragédia. Já foi assim com Alemanha, já foi com URSS. Então, para os nossos democratas, um conselho: vamos ouvir o que as pessoas que não compartilham a nossa visão do mundo, têm a nos dizer. Ajuda.

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Esperteza cearense

Hoje, a caminho para o trabalho no rádio da CBN passou uma notícia sobre a produção das lagostas no estado vizinho de Ceará. Revelou-se que a pesca deste crustáceo está no patamar baixíssimo, sendo que a própria lagosta corre o sério risco de ser extinta, pois de acordo com José Fritsch, o ministro de Pesca, na entrevista que ele concedeu ainda em 2005, a população de crustáceos em geral diminuiu em 80%.

Mas voltando a Ceará, as estatísticas mostram que o comércio de lagostas que na década de 80 – início dos anos 90, representava 11% do comércio interestadual e exterior, hoje representa apenas 2%. Como maior causa da redução da produção, foi apontada pesca predatória. Como solução, foi apontada a moratória para extração de lagosta durante quatro anos, que deve restaurar o equilíbrio ambiental e diminuir o dano imposto à natureza marinha. Mas com pequeno detalhe: durante vigência do moratório, o amparo que receberiam os pescadores e suas famílias viria dos cofres do governo em forma de benefícios e etc.

Bom, quanto ao capitalismo à brasileira, nos temos a seguinte equação: quando é lucro é empresariado, quando é despesa é governo. Se eu tivesse um dialogo com empresários cearenses, perguntaria, se na época do bom dinheiro vocês não se preocuparam com investimento em pescadores, não abriram os viveiros fechados para criação das lagostas, não se preocuparam em reciclagem das pessoas, então, na hora de arrocho vocês querem pendurar gente nas costas de governo. São vocês que deviam preocupar-se com pescadores. Hoje, eles são a classe mais miserável dos trabalhadores. Pescam como seus pais e avôs, em jangadas primitivas, usando as redes como cem e duzentos anos atrás. O governo, do jeito que ele é hoje, irá se arcar com os homens, caso moratória seja declarada, mas devia onerar também as empresas responsáveis.

Mas a mesma ladainha dos impostos altos, custos elevados, fator-Brasil, e crise imobiliária dos EUA, não cola mais comigo. O Estado brasileiro, acostumou os empresários a transferir os próprios problemas para o Estado, que paga as despesas com dinheiro do povo. Se o Brasil se abrisse suas fronteiras para competição externa, a maioria das empresas brasileiras faliriam em dois ou três anos. E perderiam não porque o empresários chineses, americanos ou seja lá quem for, são melhores, perderiam porque não estão acostumados lidar com a responsabilidade e prever os prejuízos eventuais. E lagosta cearense não é exceção .

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

O uso prático do CPMF

Ninguém gosta de pagar imposto. Principalmente no país como Brasil, onde a grana é sempre curta e os tributos levam boa parte dos rendimentos. Na nossa consciência casual, pagamos muito imposto e em troca recebemos serviços públicos de má qualidade, mau humor dos trabalhadores do segmento, fora intermináveis interrogações na Receita. Fora isto, pense em não pagar, o artigo do Código Penal taí, prevendo de dois a quatro anos por evasão de divisas. É duro e muito duro, por sinal. Por isto quando alguns políticos usam como plataforma autopromocional chamada “Fora CPMF”, não é de se espantar que encontrem amplo apóio popular.
O CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), foi criado em 1996, para coibir o rombo na Saúde Pública, causada por má gestão dos governos anteriores. O Imposto teve prazo até quatro anos e, ao que parece, a Saúde melhorou. Mas CPMF ficou. Seu destino agora é confuso. O governo parece contar com ele para ganhar mais de 40bilhoes em reais no Orçamento Federal no ano fiscal de 2008. Mas não explica claramente o seu fim, e com isto dá arma muito poderosa à oposição. Agora, depois de perder a infeliz batalha pelo Renan, ameaça bloquear a aprovação da contribuição. Existe um provérbio em russo para isto: Назло маме, уши отморожу (Caso alguém saberá o equivalente em português, por favor, me informe).
Mas eu afirmo o importante não é o volume de impostos que o povo paga. Importante mesmo é boa administração dos impostos, o que ainda é muito deficiente. Afinal caso eu invisto um real no imposto bem administrado, eu economizo 2-3 reais em despesas eventuais (plano de saúde, previdência, educação e segurança e outros). Mas se eu invisto o mesmo real nos impostos nebulosos, eu pagarei mais reais pela declaração do ano seguinte. Infelizmente, o governo nem é louco de dar esta alternativa.
Voltando ao CPMF, eu concordaria caso o dinheiro arrecadado fosse usado para fins e necessidades de Saúde Pública. Todo dinheiro, até o último centavo. A movimentação seria só para sistema de saúde federal, acompanhada de perto pelo TCU, para evitar as possíveis fraudes. Em primeiro lugar o governo destinaria os recursos para as áreas mais necessidades do Norte e Nordeste brasileiros. Devia-se evitar prática viciosa de convênios entre União, Estados e Municípios, pois dá inúmeras vantagens aos fraudadores. Caso os dois últimos também quiserem a grana extra que inaugurem CPMF locais, isto é, se o povo e Justiça deixar.


sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Lastima

Absolvição do Renan Calheiros pelo Senado Federal, deixou os brasileiros perplexos. Pelo rádio, eu ouvi muitas opiniões, desde exaltação da atitude do Senado Federal até condenação e lamentações. Por visto, lamentações são muito mais numerosas de que exaltações. De qualquer maneira, temos que considerar que Renan saiu do episódio fortalecido, e sustentar outras acusações contra a sua persona será muito mais difícil a partir de agora.
No constitucionalismo moderno, um dos pilares da sociedade é abertura máxima dos processos públicos, não importando sua natureza, seja jurídica, seja política, seja administrativa. Afinal quando um cidadão é acusado de cometer um delito, toda sociedade tem direito de saber o teor integro das pretensões, argumentos proferidos pela acusação e defesa. O acusado tem direito de usar todos meios legais da defesa, tem direito a um julgamento justo, e explanação posterior dos motivos do julgador que o levaram a proferir uma ou outra decisão. É o que eu aprendi na minha Universidade e com que todos nos trabalhamos a cada dia.
Mas acontece que Senado Federal é um órgão do Poder Legislativo. Em nenhuma hipótese o Judiciário pode interferir no seu funcionamento. E, por minha infelicidade, seu funcionamento é fechado ao máximo. Caso absolvição do Renan foi conseqüência dos senadores que viram incoerência no trabalho investigativo da Polícia e da Procuradoria da República, ou consideraram as provas colhidas insuficientes para condenação, bom, eu não tenho mais perguntas. Mas como a sessão foi fechada, o relatório que ninguém viu, a discussão que ninguém ouviu, então só poderia chegar a resultado nebuloso. O que não contribui para imagem do Legislativo em gerar e do Senado Federal em particular. Enquanto durou a epopéia do Renan, cessaram-se os trabalhos relativos ao processo legislativos. O famigerado CPMF já deveria ser votado algum tempo atrás e os deputados e senadores já começariam a se mexer para discussão do Orçamento da União para o ano que vem.
É uma lastima. Quanto para mim e quanto para todos nos.

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Sua vida custa R$ 4 mil

Durante feriado em comemoração do Dia da Independência, somente nas estradas federais morreram 101 pessoas e mais de mil pessoas ficaram feridas de acordo com Polícia Rodoviária Federal. Uma das causas do aumento dos acidentes é apontada, um eventual aumento da frota automotiva brasileira.
Ainda na sexta-feira, lendo jornais locais, deparei com uma notícia. Bosch, uma multinacional de origem alemã, inaugurou a primeira fábrica dos freios tipo ABS, no Brasil.

Os primeiros freios ABS (sigla em inglês “Advanced Break System” ou “Sistema de Frenagem Avançada”) apareceram há 20 anos desenvolvidos para os carros da Formula Um. A diferença do ABS para sistema de frenagem comum consiste em não travamento das rodas durante acionamento contínuo dos freios. Assim, durante frenagem brusca, a velocidade do automóvel é reduzida mais rápido sem comprometer a dirigibilidade.

No Brasil, até hoje, a diferença entre a vida e a morte custa R$ 4.000,00. É o valor de instalação destes freios no seu carro. Nos carros populares, que compõem 80% da frota nacional, ABS não é instalada como opcional. Isto sem falar nos airbags, que também não são instaladas nos populares. Todo sistema de freios tipo ABS é importada, sujeita ao altíssimo índice de impostos, mesmo destinada ao salvamento de vida.Na verdade, isto é resultado do primitivismo econômico dos governos brasileiros. Reduziu os impostos para os carros de um litro, sem sequer se preocupar com segurança. Acontece que os populares brasileiros são carros projetados em sua maioria no início dos anos 80, quando não existiam nem ABS, nem EPS, nem break-lights (luz inteligente), nem airbags. São os itens obrigatórios já em muitos paises. A limitação da importação, impôs à Nação o todo atraso tecnológico, que ligada, antes de tudo a segurança e a vida. Hoje, reduzindo, pelo menos ao mínimo, os impostos incidentes, nas partes dos carros que são ligadas ao sobrevivência do motorista e dos passageiros, o governo conseguiria reduzir drasticamente os gastos com saúde da população.

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Sobre tráfico ilegal e legal das armas

No artigo passado falamos sobre o tráfico ilegal de armas. Seria até estranho a utilização do terno “tráfico” para vendas legais das armas. Mas verbo “traficar” significa “comercializar” ou “negociar”. Então vamos ficar neste termo.

Depois da Guerra Fria, foi constatada a diminuição do volume de vendas absolutos das armas de toda espécie. De munição ate aviões de Guerra. O que aconteceu na verdade, foi incremento dos negócios, coincidida com o colapso da União Soviética e bloco comunista. Saindo do controle dos governos, os arsenais de armas ficaram a mercê dos negociantes sem muitos princípios. Eles faziam as vendas sem se preocupar, para onde as armas iriam e qual uso seria feito com elas. Vendia-se de tudo: armas de tiro, tanques e outros blindados, helicópteros e até caças. Foram registrados as tentativas de venda de submarinos. Fora isto, alguns governos fecharam os olhos e até recebiam porcentagem, assim como Bulgária, que durante todos os anos 90 vendia fuzis e metralhadoras, sistemas de artilharia e munição a torto e a direto, aproveitando as licenças obtidas ainda com União Soviética. Até hoje, é uma briga séria entre a Rússia e Bulgária o aproveitamento indevido destas licenças.
É claro que todas as estas vendas não entrava nas estatísticas oficiais. Hoje, porém, a farra acabou. Os governos recobraram o controle dos arsenais, apareceram outras fontes de renda. Mas com início do século XXI e mudanças na política internacional, requerem a modernização das Forças Armadas, mesmo naqueles paises para os quais a venda de armas é limitada ou proibida de vez.

No mundo de hoje, a maioria dos paises, em matéria bélica, continua dependendo dos fornecedores do exterior. Calcula-se hoje que somente 15 dos 198 paises existentes no mundo, têm alguma suficiência em armar seus exércitos. O resto continua precisando, com desespero, até. Em caso de armas de tiro, por exemplo, poucos países tem infra-estrutura exigida, assim pouco da para confiar nas armas desenvolvidas por lá. Boa parte dos AKs piratas, hoje é produzida no Paquistão. A unidade custa por volta de 100 reais. Mas a confiabilidade desta arma é pequena, a qualquer momento podendo explodir e aleijar o atirador. Então aproveitando o momento os governos dos vários paises protelam a livre venda das armas. Acompanhando imprensa internacional dá para ver que todo dia abrem-se “tenders” (concursos) para fornecimento do material bélico em vários países. As feiras internacionais batem recorde de tratados assinados. Fora o investimento direto. Um mês atrás, por exemplo, Estados Unidos anunciaram que vão investir mais de 500 milhões em armas para os países como Israel, Egito e paises da Península Árabe, militarizando, já explosiva região.

Na semana passada, o embaixador americano notificou o Ministério das Relações Exteriores da Rússia sobre protesto do governo de seu pais sobre vendas de armas para Venezuela, consideradas pelo Departamento de Estado dos EUA, abusivas. A Rússia respondeu em diplomatiquês que “....a Federação Russa respeita os princípios do Direito Internacional sobre segurança internacional e os interesses dos seus parceiros comerciais”, ou seja enquanto não tem embargo da ONU, dá para vender. Um analista da segurança comentou que “Os EUA, por sua vez, ao vender armas para os terceiros, pouco se preocupam com os níveis abusivos”. Usando o pretexto da guerra do tráfico, americanos forneceram a Colúmbia, todo tipo armamento. Hoje, exercito da Colúmbia, pode ser considerado mais completo e moderno, criando uma tensão com vizinha Venezuela, que passou importar armas da Rússia. Estados Unidos já estão em conversações adiantadas sobre vendas dos caças F-16 ao Chile que pode por sua vez pode criar atrito com a vizinha Argentina que já cogita em modernizar suas forças armadas junto com europeus. Uma simulação da feita pela revista “Super interessante” mostrou que uma eventual guerra no continente latino-americano arrastará, inevitavelmente, todos os paises e significará o retrocesso em mais de cinqüenta anos. Enquanto nossos vizinhos já começaram flexionar os músculos de aço, o ministro da Defesa Nelson Jobim se preocupa somente com Congonhas.

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Tráfico ilegal e legal das armas

Uma grande pergunta perturba todos os jornalistas, juristas, políticos em quase todos os países do mundo. Por que, depois de passados quase vinte anos do anúncio do fim da Guerra Fria, o tráfico legal e ilegal das armas está crescendo em níveis jamais vistos? Quem são vendedores e quem são compradores. Seguindo a lógica, se tem gente disposta a pagar por armas sempre terá pessoas querendo vender este produto. O tráfico de armas pode ser divido em dois aspectos: legal e ilegal.

Antes abordaremos o tráfico ilegal de armas. Pelas normas da ONU, não um Estado, suas agências ou agentes, assim como empresas privadas devidamente legalizadas, não podem vender armas aos regimes que estão em conflito armado, guerra ou violam, de uma maneira ou outra, os direitos fundamentais de homem. Aprovação de embargo internacional é decido numa sessão da Assembléia Geral da ONU com homologação do Conselho de Segurança. Ao mesmo tempo, o número dos conflitos latentes pelo mundo só tem aumentado, assim como tem aumentado o número dos grupos criminosos dispostos a pagar pelas armas. Ontem o jornal italiano “La Stampa” descreveu muito bem como funciona o esquema do desvio das armas. No ano de 2006, a “Beretta”, uma famosa produtora de armas italianas, recolheu as armas usadas pela polícia daquele país para manutenção. Neste meio período, os Carabineri, fizeram um concurso para adquirir novas armas. Então tendo um bom carregamento, apareceu na sede da “Beretta” um representante da desconhecida “Super Vision International” que ofereceu um bom negócio para exportar as ditas cujas para exterior. Depois disto as pistas das armas sumiram, assim como sumiu essa empresa. Só que no final de 2006, os marines americanos no Iraque recolheram algumas “berettas” . Checada a procedência, as armas ainda constavam como uma propriedade da Polícia italiana. Investigação efetuada pela Promotoria da Itália não deu em nada. Só Deus sabe como estas armas acabaram nas mãos dos guerrilheiros de lá. Fora isto o artigo da proeminente revista mostra que armas e munição de procedência italiana avaliadas em torno de 100 milhões de euros acabaram nas mãos da frente “Cortes Islâmicas” na Somália e mais de 20 milhoes de euros em armas estão em poder dos FARCs colombianos.

O negócio das armas é escandalosamente simples. Vamos supor que um grupo criminoso fictício “Amigos do Morro”, ligado ao tráfico de drogas, levou uma séria derrota no Rio de Janeiro. Perderam se quadros, apoio logístico e armas. O chefe resolve recuperar o perdido. O que ele faz? Importar armas ilegais é caro e não tem muita garantia de chegada. Assaltar a polícia e civis? Também não tem garantia nenhuma. E aí usa-se misto de burocracia e ganância nos meios legais. O chefe da quadrilha começa mexer nos pauzinhos ate ter saída nos produtores e utilizadores das armas. O advogado do traficante ou outro engravatado faz o intermédio. Por um preço acima da média encomenda-se o produto. Vamos supor que são vinte a trinta fuzis. O produtor espera a encomenda parecida das Forças Armadas ou Polícias. Assim que as armas são fabricadas, acha-se “defeito” e armas devem ser destruídas ou “utilizadas”. Então o lote e desmontado chega ao utilizador que coloca um carimbo de que armas foram destruídas. Pronto. As armas desmontadas, são escondidas nos caminhões e chefe dos “Amigos do Morro” tem armas que não são registrados nos cadastros, mas mesmo assim não são menos letais. E ninguém fica no prejuízo. O chefe tem suas armas, o engravatado tem uma polpuda comissão e o produtor fez um bom negócio. Todo mundo ta feliz. Depois falaremos do tráfico legal de armas.

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Resultado da política sega.

Ontem o jornal “Washington Post” publicou um relatório sobre o fracasso da campanha americana no Iraque. Relatou que a legislação fundamental ainda não foi aprovada, não tem formação partidária representativa e não tem capacidade de investimento em projetos de reconstrução. Isto, se não levar em conta os níveis assustadores de corrupção. Até hoje americanos investiram mais de 20 bilhões de dólares no governo iraquiano. Onde está o dinheiro, ninguém sabe. Houve um escândalo grande no mês passado, por causa de extravio de repasse de mais de 10 mil armas para forças de segurança iraquianas. Fora a violência. Fora Al-Quaeda. Fora a pressão diplomática dos outros países.

Na verdade a guerra dos americanos contra Iraque de Saddam Hussein acabou faz quatro anos, ainda em abril de 2003 com conquista de Bagdá e a queda de Saddam. O projeto da Casa Branca era parecido com o plano Marshall que vigorou após Segunda Guerra Mundial que previa os investimentos maciços nos países da Europa Ocidental tanto os ex-aliados quanto os ex-inimigos, para conter o avanço do comunismo. Usando analogias, Washington queria obter aliado incondicional rico, cheio de petróleo. Assim criar-se-ia uma pressão para os regimes hostis no Oriente Médio assim como Irã, Síria ou regimes monárquicos na Península Árabe.
Mas as coisas funcionaram de maneira errada. Em primeiro lugar a construção de um novo Iraque perdeu para luta fratricida entre sunitas e xiitas árabes. Hoje o corpo de governo é ocupado pela maioria xiita. Os ex-funcionários sunitas que bruscamente perderam seus cargos voltaram seus olhos para as milícias, vendo-os como única alternativa de pressionar o governo. As forças policiais saddamistas, compostas na sua maioria por carrascos já não serviam para futuro regime “democrático”. Achar os substitutos até hoje cria dificuldades. A população em geral que já não era rica durante Hussein, depois da guerra e toda confusão que a acompanhava virou completamente miserável. Um bom filão para recrutadores fundamentalistas de toda espécie. Mas os chefes dos clãs começaram a exibir seus AK-s de ouro. De onde vem o dinheiro? De novo, ninguém sabe.

Hoje Iraque para os americanos é como um cachorro grande e mal-criado. Só dá prejuízo, começa morder gente e não obedece os comandos. Mas também não dá para abandonar de vez. Abandonar um país dividido, quase numa guerra civil geral, seria um erro desastroso para imagem dos norte-americanos. Mas também ter como aliado um buraco negro que suga vidas humanas e recursos financeiros imensos, sem mínima perspectiva de recuperação é falta de bom senso. Afinal como os políticos de lá vão explicar para os eleitores a presença dos soldados no além-mar? Ora, a Casa Branca agora tem duas saídas. Uma, retiro imediato das tropas e Iraque que se dane. Outra, colocar alguém como....Saddam Hussein. Alá é sábio.

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Farra é bom, mas com limite.

Ontem na CBN, saiu notícia sobre expansão de crediário no Brasil. Desde 2005, o financiamento dos imóveis, carros e negócios parece mais uma explosão. Os bancos comemoram, o consumidor também. O governo esta feliz - a economia esta crescendo. Os otimistas dizem “É desta vez que o Brasil engata!”

Engata? Pode até ser. Mas expansão do crediário que formenta o crescimento real de economia pode virar uma bolha, bem parecida com americana. Na verdade, o credito ficou barato por causa da queda, ainda que lenta, dos juros. Diminuído os juros, as opções de financiamento ficam mais prolongadas no sentido temporal e prestações ficam mais em conta. Já da para comprar aquele carro, ou adiar reforma na sua casa, fundar ou incrementar o seu negócio. Mas como toda bolha, os bancos não se contentam com o pequeno espaço do mercado. E passam a oferecer o credito atraente às pessoas que não poderiam, em situação comum, contar com financiamento. É o problema dos Estados Unidos. Lá, por exemplo, um trabalhador com salário de 4,500 dólares mensais, com credito amigo pode obter uma casa no valor de $200.000,00. Será que ele poderia comprar um casarão só contando com seu salário? Não. Por aqui o problema poderá ser o mesmo.

O risco envolvido é que dada a volatibilidade do mercado externo, não dará para antever os riscos envolvidos nos contratos de credito durante, por exemplo, para os cinco próximos anos. Se acontecer um vendaval, como a de duas semanas atrás, ocorrerá uma retratação financeira. Os bancos, principais captadores dos recursos financeiros, ficarão com dificuldades, principalmente os bancos menores. A falência rápida dos bancos menores, cria um sinal para os bancos maiores em pressionar os devedores. Mas eles são protegidos por normas contratuais. Aí, para evitar a quebra os bancos vão chorar nos ministérios. Se o governo ficar surdo, ou pior não ter recursos suficientes, começara uma onda de falência, que levará ao colapso do sistema financeiro nacional. Aí já viu, né? Inflação, instabilidade e mais uma mega crise. Nos Estados Unidos e nos mercados desenvolvidos, os governos jogaram dinheiro para parar a crise ainda na primeira fase. Acontece que no país instável como Brasil, a crise poderá ser tão rápida, dado a fuga do capital especulativo, que enquanto o governo se mexe pode ser tarde demais.Então, farreie, mas com cuidado. Veja se seus sonhos batem com suas possibilidades. Os financistas nos bancos são famosos por sua ganância. Esta ganância leva lhes até ingenuidade quase gritante. Mas ao contrários deles, quem costuma pagar a conta é o consumidor do crédito. Afinal, quem não deve, não teme.

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Brasil e Chavez

Sente-se na beira do rio por muito tempo e verá o cadáver do seu inimigo passar” – nota um velho provérbio chinês exaltando as virtudes da paciência. Outro provérbio diz: “Na briga de tigre com leão, o macaco se torna o rei da floresta”, falando sobre astúcia, esperteza e senso da oportunidade. Na política, de vereador até relações internacionais, o uso destes dois provérbios sempre deu bons resultados. Tem também o velho e bom “divida e governe” bizantino, mas resultado depende, e muito, do “imperador”.

A imprensa brasileira com ciúmes acompanha a ascensão de Chavez, o presidente da Venezuela, no cenário latino-americano. Boas relações com Fidel, chegada do Morales, estreitamento das relações com Argentina fizeram com que Chavez ofuscasse a causa brasileira no continente latino-americano. Fora isto, “Coronel” comprou uma briga séria com Estados Unidos, levantado a bandeira do bolivarianismo. Mas, suspeito eu, toda esta retórica é apenas um espetáculo. Venezuela hoje fornece até 25% de petróleo para o mercado norte-americano, o que joga para o governo de Chavez um monte de dólares para financiar os seus projetos. Este jogo é bom para os dois lados. Chavez joga para o público, se abraçando com Fidel, aumenta apoio internacional para o seu governo. Figura dele também é útil para a Casa Branca, que precisa de um contra-peso na região para atenuar a influência verde-amarela. Em compensação, o Brasil nada para o abraço de Tio Sam. Lembram-se a lista dos “amigos da América” onde o Brasil foi incluído? É o velho e bom “divida e governe”.

Na verdade o regime de Chavez nunca foi amistoso para o Brasil. Sim, ele pode ser mais igualitarista, apaixonante e etc., mas nunca foi simpatizante. Daí foram vários escândalos, assim como da expulsão da Petrobrás ou questionamento sobre alguém ser o “papagaio de Washington”. Nossos democratas de carteirinha, assim como o enrolado Renan e outros, caíram bem direitinho na provocação.O governo brasileiro bem que podia dar apoio ao Chavez na sua luta contra EUA. No final das contas, ou Chavez acabará como isolado como Fidel Castro ou terminará como uma vítima do golpe militar ou terá promover eleições presidenciais sem sua participação. A política atual de tapinhas nas costas de frente e bate-bocas verbais, só é bom para os venezuelanos que acusam Brasil de imperialismo. Sem Chavez e seus dólares, os políticos latino-americanos voltarão seus olhos ao Brasil e atividade diplomática no Itamaraty aumentará. Sem outras figuras reais de contra-peso ao Brasil, os americanos terão que se contentar com predominância do “amigo Brasil” na região dada seu peso econômico e sua posição preferencial na América Latina. Chegando lá, da para ampliar sua influência para o além-mar, visto que os ventos na política internacional estão mudando de rumo de novo.

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

New middle class

O artigo da revista “The Economist” que delineava a nova classe média latino-americana, lançou o novo vocabulário economista assim como “new middle-class” e “old middle-class”. A conceituada revista previu que a nova classe média só terá o crescimento e sua valorização como uma nova força política.
Quem é essa nova tribo e qual é a diferença entre com a velha classe média? Classe média comum é composta pelos profissionais liberais, executivos nas empresas e pessoas que atuam no setor público mais de 15 anos e conseguiram acumular uma pequena fortuna em poupança, ações e etc. Geralmente votam nos partidos do centro-direita, como PSDB. A velha classe média forma seus substitutos nos colégios tradicionais e nas universidades públicas. Ou seja, nada de novo no front.

Mas a nova classe média ainda é uma incógnita. O que sabemos que são compostos pelos pequenos comerciantes, funcionários públicos recém-ingressos na carreira e até os casais cujos rendimentos somam em volta de 3,000 reais. Antigamente eram chamados de “classe média baixa”. O crescimento deste segmento aumentou por causa da desvalorização do real no final dos anos 90 e início desta década. Os tradicionais viram que seu sonho estável ficou no passado e o que pior, eles se sentiram mais pobres. O sonho da classe média “consultório-apartamento-carro-casa-de-praia”, ficou inatingível e os filhos ficaram muito mais pobres que seus pais. É essa geração ficou conhecida como “new middle class”. Essa nova classe média é conhecida pelos seu pessimismo em relação estrutural do Estado e sociedade brasileira, porque viram que os atrasos endêmicos destas atrapalham seu crescimento e seu valor dentre os brasileiros.
Existe o livro de grande escritor polonês Stanislaw Lem, infelizmente não lembro de seu nome. A fábula é seguinte: no futuro distante, soube-se que o Sol ia explodir e destruir a Terra. Os governos de vários paises convocaram um grupo de cientistas para tentar resolver o problema. A sociedade, em geral, foi acometida por pessimismo. Apesar de cumprir seus deveres foram promovidas várias manifestações bem no estilo de “Cansei”, estes ficaram conhecidos como “conformistas”. Vamos morrer, mas não vamos fazer nada. Mas deles nasceu movimento terrorista que começou atentar contra cientistas, promover explosões e chamar atenção a qualquer custo. Esse movimento ficou conhecido como “fatalistas” que achavam humanidade deveria ser extinta. No resto do livro o autor expôs a história de luta do pequeno grupo dos cientistas em busca da salvação da Terra do seu iminente destino final. Mas ao que nos importa é a questão de que numa parcela da população onde predomina pessimismo sempre aparecem as fontes da política radical.
Em abril deste ano o Home Office inglês (algo como Ministério da Justiça no Brasil), enviou o relatório ao Primeiro Ministro relatando o estudo que prevê que a partir do ano de 2015 aumentara o interesse dos ingleses médios pelas políticas radicais. Foram citados o marxismo, nazismo, islamismo fundamental e anarquismo. Tudo por causa do lento empobrecimento da classe média. No futuro próximo, nota o estudo, vontade brusca de mudança radical se ampliará do campesianato e proletariado para os setores médios e representará ameaça grave ao regime vigente na Grã-Bretanha. Os atentados recentes em Londres demonstram que seus atores foram não fanáticos analfabetos, mas sim médicos de origem árabe.
Quanto ao Brasil nos devemos ver que descontentamento do “new middle-class” pode gerar dificuldades. Fora greves amorfas dos sindicalistas, já estão surgindo movimentos poderosos, como já citado “Cansei”. Daí pra luta radical dos letrados é um pulo.

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Na encruzilhada econômica

Euforia econômica que começou a partir de 2002 parece acabou em crise cinco anos depois. Mas, ao contrario dos crises anteriores o Brasil tem gordura financeira para agüentar, sem decair nas agravantes de Estado liberal. O Estado agora tem que queimar suas economias adquiridas com saldo exportador positivo, impostos altos e onipresença de Estado.

Agora os analistas econômicos notam que a crise é de importância global. Pois mesmo o governo americano jogou dólares no mercado interno para evitar a quebradeira bancária e baixou a taxa de juros para facilitar a devolução dos créditos, o nervosismo saiu das fronteiras americanas para refletir na economia asiática que vive de importação americana e que gerou expectativa que crise americana diminuiria a o consumo interno. A economia americana que já se acostumou com invasão dos produtos asiáticos baratos sobreviveria, mas para os “tigres” por sua vez, é como um chute no estomago. Basta lembrar que a crise das Bolsas de 1997 ecoou como um trovão. Na Coréia do Sul, o governo caiu, nas Filipinas entraram em atividade os separatistas muçulmanos, na Indonésia o regime ditatorial de Suharto que governava o país por 40 anos foi derrubado por turbas nas ruas de Jacarta. Hong Kong aceitou a soberania chinesa e depois ninguém mais ouviu falar dele.

Por isto é compreensível o nervosismo dos asiáticos. Agora à tarde as Bolsas européias voltaram a operar em alta. Os americanos, parece que, também estão se recuperando. Provavelmente o real na semana que vem voltará a se valorizar. Mas vamos ver.

Agora este nervosismo deve ser aproveitado em favor do Brasil que pode mostrar aos seus oponentes que é um paises confiáveis. O pais que não tem graves antagonismos como separatismo, terrorismo e outros que podem influenciar negativamente os acontecimentos no mundo. Que talvez foi privilegiado no jogo geopolítico, já ficou às margens deste. Assim entrando aos poucos como força econômica, Brasil pode conseguir seu tão almejado crescimento.

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Mercado promissor

Estudando para minha monografia ainda no bacharelado, com dados da ONU, foi interessante confirmar que o tráfico internacional de drogas está diminuindo. Drogas, eu digo, são substancias entorpecentes que causam graves males à saúde humana e tem efeitos em toda sociedade. Pois o crescimento do tráfico, assim como nos conhecemos, começou no final do século XIX, grande parte na China. E nos últimos cem anos só tinha crescido, até que a partir dos anos 80, melhores políticas de coordenação, repressão e medidas de prevenção e tratamento médicos aos viciados por parte dos países receptores das drogas, começou surtir o efeito, ainda que modesto.
Pelo menos nesta parte, a situação é de otimismo cauteloso. Mas a natureza humana é formada assim que o criminoso habitual não irá parar de cometer crimes. Por exemplo, o traficante nunca irá abandonar o tráfico, pensando nos moldes “Pronto, trafiquei bastante, agora vou abrir uma mercearia’. Geralmente, pessoas assim só param de cometer crimes quando são impedidos de alguma ou outra maneira. Assim quando os traficantes procuram outros “mercados” para seus “produtos”. Por exemplo, a queda do Muro de Berlim, possibilitou a sua inserção na Rússia e nos paises do Leste Europeu e da ex-URSS nos anos 90. Mas os paises de lá começaram com as políticas de repressão. Então tem de procurar novos mercados.
O Brasil nunca figurou como grande consumidor de drogas, pelo menos comparado com Estados Unidos ou Europa Ocidental. Nem foi o mais o mais lucrativo, mesmo figurando ao lado dos paises produtores como Peru, Colômbia e Bolívia. Mas no final dos anos 90 e até agora os traficantes internacionais estão abrindo e este “mercado”. Brasil tem várias facilidades em relação a isto. Primeiro, fronteira não-controlada, segundo amplo consumo (pelo menos em previsão), terceiro, abundante mão-de-obra, disposta a trabalhar no trafego. Fora isto, tem facilidades: assim como sistema judicial lenta, e os esquemas de desvio de dinheiro e armas já facilitados pelo criminosos locais. Logística e que não falta.
Acompanhando imprensa, da para perceber o Brasil não só exporta drogas produzidas nos outros paises latino-americanos, mas passa a importá-los também. Pequenas quantidades de heroína, haxixe e drogas sintéticas são apreendidas nas fronteiras. Talvez os traficantes das redes internacionais estão introduzindo drogas estranhas como uma amostra gratis para mostrar o seu produto, vendo se “pega ou não”.
Quando eu cheguei ao Brasil, palavra “maconheiro” soava como pessoa muito degradada. Poucos eram e geralmente eram criminosos perigosíssimos. Mas hoje as drogas estão em toda parte. E o mercado está se abrindo.

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Direito de resposta

Prezado Vassili,
Quando discutimos sobre a troca de comando da crise aérea, lembre-se que afirmei que com a posse de Jobim a crise seria de certa forma "diminuída" no aspecto midiático. É bastante claro, é só acompanhar a Grande imprensa, que o foco do desgaste nos aeroportos foi transferido para as soluções de Jobim para o caos aéreo. Entenda, portanto, que a "solução" a que me referi diz respeito ao fato de que a sociedade sentirá menos peso na questão áerea enquanto receptáculo de notícias. Isso não quer dizer que os vôos deixarão de atrasar, entre outros problemas advindos da má gestão. A Linha Editorial foi quem transferiu esse foco, segundo os seus interesses. E nesse novo direcionamento há, sim, questões políticas.
Raildon Lucena.

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

Conselho atrasado

Quando eu estudava Direito em Moscou nos tínhamos uma disciplina interessantíssima, chamada como “Direito constitucional dos paises muçulmanos”. Ou seja, uma disciplina que englobava todos os Direitos, de Marrocos até Indonésia; foi lecionada por Rashid, um professor iraquiano que fugiu do regime de Saddam Hussein, e Omar, seu assistente sírio. Na época a Guerra do Iraque era iminente, mas ainda não aconteceu e indagado sobre o futuro de seu país, o Doutor em Direito respondeu que o Iraque só sobrevivera como unidade sob regime igual ou pior que de Saddam ou “acontecerá matança generalizada”.

Velho professor sabia do que estava falando. Quase todo dia, acontece uma explosão que leva dezenas de civis. Pelas estimativas, desde invasão a Guerra levou mais de 100 000 vidas entre iraquianos e aliados, sem que fim pacífico esteja ao alcance. Em todo mundo gira aquela pergunta: Será que o problema tem solução? Não é melhor deixar o Iraque à própria sorte? Os americanos e britânicos acenaram com um possível acordo aumentando o papel da ONU na região. Isso depois que em 2003 o veto do Conselho da Segurança desta Organização foi solenemente ignorado.

Os antagonismos na sociedade iraquiana são milenares. Dois terços dos iraquianos são árabes, outros, em sua maioria, são curdos. Curdos depois da invasão viram uma chance única em construir seu Estado tão almejado. Dois terços são árabes na sua maioria xiitas, outros são sunitas que são mais ricos. A região da predominância xiita é o sul do país que sempre foi almejado pelo vizinho Irã.

A criação do Estado curdo é maior pesadelo da Turquia onde vive a grande comunidade curda. Ancara com todo os meios possíveis resiste a atividade curda no Iraque, que leva a tensão com seus aliados na OTAN e Comunidade Européia. Alem disto, os curdos mantém relações amistosos com os russos e americanos complicando ainda mais o situação diplomática. Os xiitas são amparados por iranianos e aos sunitas só resta abraçar as causas da Al-Quaeda.
E democracia onde fica? Bom, simplesmente não fica. No oriente idéias democráticas não vingam porque a idéia do “individuo livre” é substituída por conceito de “família” ou “clã”. Família ajuda e ampara e o clã protege os interesses. Em tese é possível construir um país relativamente justo nos valores “tradicionais”. Mas o Estado não será uma República Federativa, assim como o Brasil. O povo que vive lá é tão diferente que união só era possível pela força das armas ou pelo terror generalizado como no regime de Saddam Hussein. Uma saída possível seria uma confederação nos moldes da Suíça primitiva. Onde cada comunidade viveria no seu próprio estado, com sistema jurídico próprio, exercito e polícia e etc. Único elo entre estes estados seria os interesses externos. Isto, ao meu ver evitaria o derramamento de sangue e ao mesmo tempo protegeria os interesses de todos os jogadores mundiais.

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Catolicismo

A quantidade de seitas e ensinamento cristãos já tinha ultrapassado qualquer limite tolerável, quando o imperador romano Constantino resolveu a institucionalizar a cristandade. Para este fim ele convocou, em cidade na Ásia Menor no ano de 325, um concílio universal a fim de harmonizar as regras e criar uma única Igreja em Cristo. Bom, como toda criação de seres humanos, o Concílio de Nicéia acabou em confusão e escândalo, com expulsão de Ário, um clérigo que, ao perder vaga de bispo de Alexandria, fundou seu próprio ensinamento cristão. Ário, ao ser expulso do Concilio, contestou os resultados, incluindo aí o Novo Testamento, provocando a ira dos bispos católicos (aqueles que reconheceram os resultados niceanos), e do Constantino. Também foi contestada severamente, a figura do imperador e seu papel no entronamento do papa.
Mas com passar do tempo e tendo em vista todos acontecimentos históricos, a igreja católica foi divida, nominalmente, em duas partes. O Imperador do Ocidente cuidava do trono de São Pedro (daí o papa proclamou-se como “o Patriarca do Ocidente”), e os imperadores do Oriente empossavam o patriarca de Constantinopla. Essa harmonia durou até Justiniano que, reformando o Império Bizantino, proclamou seus direitos ao trono papal. Na verdade, Justiniano tinha tendências teocráticas pretendo ser controlador único tanto do Império Romano quanto da Igreja, que por algum tempo ele conseguiu. Durante séculos V, VI e VII os papas foram todos oriundos de Constantinopla. Enquanto o imperador era forte, a resistência dos bispos do Ocidente foi duramente debelada. Mas a bomba de cunho político – administrativo, que Justiniano armou, explodiu com ascensão de islã, e os imperadores cristãos do Oriente passaram-se a ocupar-se exclusivamente com questões regionais.
Neste entretempo a Europa Ocidental mergulhou na verdadeira idade das trevas. Tem-se poucas notícias de influência papal centralizada entre os séculos VI e IX depois de Cristo. O cristianismo perdeu para o Islã os reinos da África do Norte, a península Ibérica e chegou até França, onde foi debelado pelo Carlos Martel. A igreja católica foi duramente atacada pelo arianismo......

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Dúvida cruel

Notícia ruim passou despercebida pela imprensa mundial e local. Só alguns analistas escreveram sobre ela. O problema em questão é divida interna americana. No ano passado, o Congresso americano autorizou o déficit orçamentário, desde que o valor da dívida interna crescesse até atingir 9 trilhões de dólares. Em julho deste ano divida arrolada chegou a este valor e Casa Branca ficou diante da ameaça da falência técnica, traduzindo, sem dinheiro para cumprir deveres impostos pelo orçamento aprovado.
Governo Bush irá fazer de tudo para convencer o Capitólio elevar a “fronteira”. Outros meios de cobrir o rombaço nas contas ficam aquém da política de detentores de Casa Branca.
Primeira e urgente medida seria de cortar os gastos militares, como concordam todos especialistas. Os gastos nesta área já superam patamares da Guerra Fria. Orçamento militar americano supera os outros 10 orçamentos gastos nos outros paises. E continua crescendo, mais por causa do Iraque. Apesar de evidente discrepância, o governo não pode reduzi-los, até por causa do fortíssimo lobby das companhias americanas ligadas ao setor da Defesa, a quem interessa o inflado orçamento militar.
Outra medida e muito impopular, por sinal, é aumentar os impostos. Logo antes dos ataques de 11 de setembro de 2001, na época de bonança, Bush diminuiu os impostos para as camadas ricas e medias da sociedade americana. Aumentar impostos, já para combalido governo é igual suicídio, pois não deixará nenhuma chance para os republicanos nas eleições do ano que vem.
Existem mais medidas, mas de cunho intra-econômico e que não nos interessam. Mas dá para ver que Bush não arredará o pé e vai pedir para o Congresso o poder para aumentar a divida. Mas com notícias destas os papeis dos americanos continuam se desvalorizando e são comprados por chineses.
Os economistas brasileiros estão coçando a cabeça sem saber o que fazer. Por um lado, na economia mundial o dólar está se desvalorizando e perdendo a sua importância. As reservas do Banco Central da Rússia que atingiam até 80% em moeda norte-americana em 2003, hoje já não passa de 48%. China, maior detentoras dos papeis do governo norte-americano desde 2005 opera com euros. Fica situação ambígua, mesmo com dólar barato vindo em abundância, Brasil está ficando mais pobre em valores absolutos. Mas o BC não pode investir em euro, pois este anúncio traria tempestade nos mercados internacionais e poderia seriamente estragar as relações com EUA, mas também não pode confiar em dólar, por que em caso de crise orçamentária americana, as reservas diminuiriam e país correria serio risco de ficar na pindaíba, com volta da inflação, crise econômica e outros choques. Até Aécio Neves, talvez o futuro presidente deste país, devia ficar preocupado, pois esta bomba pode detonar nas mãos dele.

terça-feira, 31 de julho de 2007

Mercedes com bancos de couro.

Meu irmão, no caminho ao Brasil, passando pelo Amsterdã, na Holanda ficou impressionado com os táxis de lá. “Eles lá, usam Mercedes com banco de couro como táxi” – disse. Fora isso, Holanda, como um pais desenvolvido é impecável. Limpa, sem flanelinhas, ajeitada afinal, não tem como sem ficar impressionado. Mas isto é apenas vitrine, que esconde uma história de muito suor, lagrimas e sangue.

Holandeses são descendentes de antiga tribo germânica de frisos, falam neerlandês, dialeto germânico, e se assentaram nas encostas do Mar do Norte no século VI depois de Cristo. Durante toda sua história e até hoje eles lutam contra o mar que insiste em invadir suas terras. Fora natureza severa, holandeses foram invadidos por toda espécie de invasores. Francos de Carlos Magno, vikings, alemães, franceses, espanhóis, ingleses e até dinamarqueses mostravam permanente interesse em se apossar do seu país. Mas este pequeno povo sempre resistiu até que se tornar uma grande potência colonial. Verdade seja falada, que Holanda, movida por interesses particulares de seus comerciantes, pilhou suas colônias, situadas principalmente em Antilhas Holandesas e sudeste asiático, sem dor nem pena. Envolveu-se em várias guerras pelo mundo, abrindo a página dramática na história luso-brasileira. Mas mesmo assim os holandeses sempre foram muito unidos, até mesmo fraternais uns com os outros. Escolas de alto nível, empregos estáveis, hospitais modernos, sempre foi a marca deles. Sem falar no seu espírito, assustadoramente tolerante. Talvez, eles merecem usar um Mercedes com banco de couro como táxi, por que o transporte principal da Holanda é barco e bicicleta. E por aqui nos temos ainda muita luta. É só assim que se forja o espírito de uma nação.

segunda-feira, 30 de julho de 2007

O passo da civilização.

Meu amigo, jornalista Raildon Lucena comentando sobre a posse de Nelson Jobim como Ministro da Defesa nacional, destacou que a direita brasileira esta se apossando dos Ministérios, visando no futuro um possível apoio à candidatura de Aécio Neves nas eleições presidenciais no ano de 2010. “Veja” – ele falou “com a nomeação de Nelson Jobim, a crise aérea, será brevemente solucionada...”. Pode ser.

Mas será que com a solução da crise aérea, os aviões pararão de cair? Controladores vão parar com ameaça de greve? E outros problemas do cotidiano brasileiro. Certamente, não.

A História tem suas leis, imutáveis como o Princípio da Gravidade. O desenvolver de uma nação obedece ciclos, entre auge e crise. Interferência humana só tem efeito catalisador ou atenuante. Infelizmente isto não depende de jogos políticos e de embate entre esquerda e direita.
Se nos lembramos do início dos anos 60, veremos que o golpe era inevitável, tanto poderia ser da direita, o que ocorreu de verdade, ou viraria rebelião esquerdista. Analise detalhada daquele período revela que já foram debeladas as tentativas de golpe em 1955, na época de Juscelino Kubitschek e em 1961 quando só ameaça de Brizola levar o país à guerra civil, parou os militares. No entanto, as reformas-base do João Goulart já foram tão longe com respaldos em amplos setores da sociedade assim como os sindicatos, estudantes e elite intelectual, que o presidente não podia mais evitar os antagonismos com os conservadores. Assim o golpe era inevitável. Se Janco conseguisse debelá-lo, levaria o país à implantação do socialismo que seria o mesmo golpe, só que socialista. Por mais que seja fatalista, mas o golpe era inevitável. Aos humanos só sobrou desenhar os detalhes.

É o passo da civilização brasileira. Assim que foi aprovada a Constituição brasileira, já fundamentaram a próxima crise da nação que talvez seja muito traumática para todos nos. Quando aprovaram nova Constituição, legalizou-se o status quo entre as facções políticas. Se escondendo nas entranhas legais, os representantes políticos remanescentes desde os tempos militares, regularizaram-se e começaram a preparar os seus sucessores afim de garantir a estabilidade que conseguiram após a redemocratização. Mas sua visibilidade foi muito mais explícita, revelando os lados nada agradáveis aos olhos da nação. Por que em 1988, a Constituição não prévia os ataques do PCC, o apagão, o Renan, os mensaleiros, os sanguessugas, entre os escândalos federais. E quantos escândalos, estaduais, municipais existem por aí? E os responsáveis que são vistos por todo mundo, não são condenados. Enfim, o Estado moldurado na Constituição pede sua legitimidade perante os olhos dos brasileiros. Mas a crise não é só governamental, a crise é civilizacional. Chegaremos ao ponto quando a sociedade não verá mais necessidade do Estado que existe agora, e o Estado não poderá mais fazer alguma coisa. Santo Agostinho, jurista e filósofo teológico no século V já descrevia na sua obra “cidade de Deus”,que Estado devia ter “a graça divina” ou seja proporcionar o desenvolver da sociedade. Caso contrário, ia se afundar nos vícios e perderia legitimidade perante seus cidadãos, que ficariam livres de obrigação de prestar obediência e teriam direito à “rebelião justa”. Nossos governantes, acobertos sob o manto democrático, pensam que o mandato eleitoral os legitimiza e indulta dos seus crimes, o que não é bem assim. No final teremos a situação puramente leninista quando “as elites não podem e o povo não quer”.

Dado o impasse, irá pouco tempo para acontecer uma nova crise da identidade brasileira. Se o país mergulhará numa guerra civil ou se limitará com reforma profunda do Estado, se sofrerá com golpe reacionário ou terá um cunho socialista, já não cabe a mim saber. Tudo dependerá da aptidão dos governantes, não importando se eles são da esquerda ou da direita.

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Mentalidade provincial

Hoje, quando fui para trabalho, me deparei com enorme engarrafamento na avenida Prudente de Morais. Mais um acidente, pensei. Mas nada disto, no cruzamento com Bernardo Vieira, os homens estavam trabalhando, na duplicação da avenida. Imediatamente se formou um engarrafamento, dificultando a movimentação do transito. Em vez de gastar 10 minutos para chegar de casa para trabalho gastei mais de meia hora.

Na cidade do porte de Natal, toda reforma na malha rodoviária urbana deve ser efetuada a partir das 9:00 horas da noite e até 6:00 da manha, quando o trafego não é tão intenso. Fora, claro, as ruas adjacentes e periféricas. Mas o prefeito municipal Carlos Eduardo parece que tem mentalidade do morador da cidade do interior, que, para não gastar com os trabalhadores os extras pelas horas noturnas previstos na legislação trabalhista, faz um transtorno adicional na, já problemático, transporte natalense. Os lucros indiretos que viriam do trabalho organizado do setor público e privado, ficam prejudicados pelo economia de dinheiro da forma mais primitiva possível.

sexta-feira, 20 de julho de 2007

Teoria e prática da guerra-rebelião

Guerra-rebelião é uma nova realidade mundial no início do século XXI. Depois da segunda guerra mundial um militar italiano repensou como seriam guerras no futuro (o presente de hoje). No entanto ele não se limitou a estratagema puramente militar. O que é guerra? Guerra hoje é um conflito armado entre duas ou mais nações por algum motivo, visando a conquista de alguns interesses. Pode ser recuperação do território, proteção ou ampliação de interesses econômicos, proteção de alguma parcela da sociedade. O que distingue a guerra-rebelião é sua baixa intensidade, desigualdade dos entre os lados beligerantes, de táticas distintas. Arsonni no seu trabalho afirmava que a rebelião-guerra pode começar onde tem sérios antagonismos entre nas castas societárias, divergências políticas, ou seja em todo mundo. Os motivos de guerra-rebelião podem ser mais distintos, mas os métodos são quase iguais.

A tática dos grupos consiste em famoso kick and rush, bate e corra. Ação consiste em aparecer em vários pontos, atacando vários pontos do estado (instalações militares ou policiais), atacar patrulhas moveis. Depois do ataque feroz, atacantes se retiram para esperar a reação política. O efeito dos seus ataques são quadruplicados pela mídia e os esforços políticos geralmente são todos em vãos. Essas guerras latentes foram implantados em Oriente Próximo, Iraque, Afeganistão, Paquistão, Chechenia e outros cantos que eu não conheço.

E o Brasil? Ora, nos já temos a nossa. Mudam os motivos ficam os métodos. Lembram dos ataques do PCC em maio do ano passado? Não parece familiar? Pois alguém errado já leu livros certos. Os ataques dos bandidos foram descentralizados. Ao mesmo tempo foram atacadas instalações policiais, agentes foram abordados em vários cantos, criando ilusão de numerosidade dos marginais. No dia seguinte São Paulo, parou. A imprensa mostrava as avenidas vazias, pessoas amendrontadas. Qual a finalidade do ataque? Evitar a transferência dos lideres do PCC à presídio de segurança máxima. Durante três meses 1500 homens da Força Nacional de Segurança e polícia do Rio de Janeiro cercavam o complexo do Alemão a fim de garantir a segurança do Pan. Fora uns vinte mortos, não conseguiram. Tem notícias que os traficantes do complexo tinham apoio lógico do sempre-presente PCC paulista.

A reação da sociedade é previsível, medo. Os ataques do PCC começaram com grave crise no setor de segurança. Foi criada a Força Nacional de Segurança, protótipo da Guarda Nacional a que ficasse incumbida a responsabilidade de repressão aos ataques dos grupos armados. Mas o projeto travou no Congresso Nacional e status de FNS ficou meio pendurado. Ela hoje atua, por exemplo no Rio de Janeiro, mas no vácuo jurídico, pois não existem referencias a ela na Constituição do Brasil. A União Federal dispõe de Forças Armadas e Polícia Federal, mas, perante ataques organizados, governadores resistem ao último, pois tanques na rua e helicópteros dos federais, é veredicto definitivo quanto a sua incompetência. Por outro lado os políticos já aprenderam a usar rebelião-guerra em sua vantagem. A imagem do Zé Serra como esmagador do levante, lhe rendeu a cadeira do Governador de São Paulo. Figuras como Sérgio Cabral e César Maia, também são apontados como defensores dos cariocas. Assim cria-se laço parasitário entre grupos marginais e Poder Público. Aspirantes a cadeiras importantes necessitam do “voto do medo”, insurgentes precisam dos políticos para ampliar a imagem “dos contras” e conseguir o financiamento mais sério. Assim este círculo vicioso só tende a se expandir, enfim levando ao colapso total da sociedade atual e do Estado vigente. Justamente a meta final de qualquer guerra-rebelião.

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Irresponsabilidade

Só tem uma pessoa neste país que ficou contente com o acidente em São Paulo. Este deve ser Renan Calheiros que agora, na penumbra, pode cessar o processo contra ele movido. No resto, em meio da confusão e das lamentações, procuram-se os culpados. Mas não precisa ser alguém. Culpa é da irresponsabilidade, que leva à incompetência, muitas vezes, criminosa.De acordo com CBN “no Brasil de hoje existem 10 agências que são responsáveis pelo trafego aéreo, tanto civil quanto militar”. Então é muito fácil se esconder entre normas, leis, decretos, ofícios, cartas circulatórias, que formam um belo escudo corporativista. E pouco importa que dentro de 10 meses, o Brasil passou a ser o primeiro pais entre os mortos nos acidentes aéreos, pouco importa que o setor aéreo está numa crise grave jamais vista no mundo, pouco importa que passageiro que o passageiro que está subindo ao bordo tem cara de soldado que vai ao ataque suicida.

Todos tem seus motivos. O empregado público se esconde atrás da estabilidade no emprego. O diretor de agência é apadrinhado do presidente o dos seus aliados. E o presidente e os aliados se escondem atrás dos nossos votos. Tem algo de errado. Como quebrar este ciclo vicioso?

quarta-feira, 18 de julho de 2007

Clamor dos 300

Antes do acidente do Gol, do apagão aéreo, antes desta confusão, o transporte de avião foi considerado o mais seguro do Brasil. No ar não tem assalto, não tem engarrafamento, nem motorista irritado. Já foi assim. Desde o início da crise aérea, nada foi feito, absolutamente nada. Ninguém assumiu responsabilidade, pelo mais de 300 vidas acumuladas. O presidente Lula, mais que covarde, junto com a sua cúpula vermelha se esconde atrás das frases nada significativas, invés de conduzir com a mão de ferro as reformas no setor aéreo. Zé Serra, com cara de urubu, como bem me falou amigo Raildon, num instante, apareceu no local para tirar dividendos políticos. E outros tantos que irão aparecer no desenvolver da gritaria. Agora, vão procurar culpados, e os culpados, quem liberou a pista molhada e despreparada para pouso de avião, quem designou o Airbus pousar no aeroporto que não tinha condições entre outros tantos, irão botar culpa uns nos outros até eternidade. Lula, com todos os poderes a ele conferidos, devia imediatamente interditar Congonhas, nem que seja com Exercito. Procurador-Geral da República instaurar processo criminal contra Infraero e donos da TAM e ir apurando denúncias até ter certeza que os responsáveis pelo acidente deviam parar atrás das grades. Se não tiver cacife para isto presidente, nem você, nem sua camarilha instalada no Planalto, pode governar sequer uma fazenda de 3 hectares, quanto mais um pais. As 300 almas clamam por isto. Eu também.

segunda-feira, 16 de julho de 2007

A doce vingança da verdade...

Ha alguns meses atras a VEJA publica uma matéria sobre a morte do ex-agente da FSB russa Alexander Litvinenko. A matéria fala de planos mirabolantes dos espiões russo que possivelmente teriam envenenando Litvinenko com polonio 210 em novembro de 2006. Desde o começo eu achei essa história meio absurda. Pra realizar uma queima-de-arquivos de um modo tão espalhafatoso? Rifle com mira telescopica e *bum*... ou ainda mais eficaz uma pedra na cabeça para deixar a impressão que foi um acidente. A imprensa brasileira, claro, jogou toda a culpa no presidente russo alegando que isso é tudo culpa da centralização do poder nas mão de Putin e seus comparsas!
Na semana passada a Justiça Federal acusa o oligarca russo Boris Berezovky de lavagem de dinheiro e pede a extradição do russo para o Brasil.

Interessante, né? De uma hora pra outra começam a cogitar uma possibilidade (o que já é um grande passo para a imprensa brasileira) do envolvimento do milionario russo na história do assassinato de Litvinenko.

Aiaiai... e quando a gente vai parar de ser papagaio e procurar informar melhor nossos cidadãos?

quinta-feira, 12 de julho de 2007

Sobre.

Interessante que hoje é Dia de São Pedro e São Paulo, apostolos imediatos de Jesus a quem foi incumbida a construção da Igreja cristã.

Supremacia católica - visâo crítica. Parte I

A reiteração papal de que a Santa Igreja Católica é único caminho a redenção e salvação em Cristo, provocou alvoroço em mundo cristão. Os protestantes reclamaram, pentecostes acusaram papa de apropriação de Deus, outras religiões também ficaram ressentidas, pois o conceito de salvação, em budismo, por exemplo, é diferente do cristão, mas quando papa diz que o caminho de salvação passa pelo:
a) Cristianismo
b) Papa, pode provocar irá de clérigos dos mais diferentes religiões.
Na verdade a encíclica papal somente reiterou as posições da Santa Sé, desenvolvidas durante o Concilio de Vaticano ocorrido durante anos 60. Apesar de profundas mudanças na política do Catolicismo, foi deixado em claro que a Igreja Católica é única e verdadeira Igreja Cristã. Ao longo das décadas está clausula conseguiu ser esquecida por algum tempo, pois revelava profundo antagonismo entre os cristãos. Com a chegada do alemão no trono de São Pedro, recomeçaram as afirmações conservadoras sobre temas como homossexualismo, aborto, ordenação das mulheres. Era esperado. O que não era esperado, foi a ambição católica como único meio a salvação da humanidade.

Quando Jesus assumiu a sua natureza divina, propagar o seu caminho foi deixado a cargo de seus discípulos. Muitos pesquisadores bíblicos na atualidade contestam esta hipótese, alegando que os evangelhos que foram escritos muitos anos depois da morte de Cristo, pecavam pela sua parcialidade. Mas está teoria de Igreja como sucessora de Cristo “bate” em quase todos evangelhos escritos, mesmo os apócrifos, então, na falta de outras provas mais concretas, podemos dizer que fictio pressupit veritas, ou seja, ficção parece ser verdade. O problema nesta parte consiste que Jesus mandou espalhar a nova fé para o apostolo Pedro, que teve sua atuação apagada, a tarefa de propagar cristianismo foi assumida por São Paulo, cujo evangelho foi traduzido em grego, antes de todos e que começou universalizar o cristianismo. Mas falta de centralização, complexidade da teoria cristã, nos dois séculos seguintes provocaram, uma miríade de seitas, assim como arianos, monofisistas, montanhistas entre os outros.
Continua..............

terça-feira, 10 de julho de 2007

O "X" da economia

Sobre política econômica do governo atual só tenho dizer uma coisa: ou os economistas de Lula são completos idiotas ou são gênios incomparáveis. Os liberais e outros “democratas” acham que o governo está perdendo tempo, sem fazer reforma política e administrativa, sem revisão de sistema tributário e diminuição de alíquotas de importação e exportação. Alguns mais afoitos pedem ‘privatização já” de Petrobrás e Caixa entre outras estatais, aproveitando o momento de euforia macroeconômica. Tem razão, mas só em parte. Pois o a elevação econômica da China, outros tigres asiáticos dá uma oportunidade única.

Por sua vez a base do governo pede calma e joga balde de água fria. Para enfrentar a concorrência mundial, avisa a esquerda, antes precisa resolver sérios problemas sociais, como erradicação de pobreza, melhoramento de ensino público, igual distribuição de renda, etc. Se não, o nosso desenvolvimento econômico vai cheirar à República Velha no início do século XX, cuja decadência permitiu golpe e ascensão do Estado Novo varguista.

Na verdade, a economia é uma ciência esquisita. Parece mais um jogo de azar, uma aposta. Ou você não joga, mas no final fica sem prejuizo, ou aposta suas fichas na rápida aceleração e corre, consequentemente, ficar a frente de grave crise econômica. Matemática econômica é única que admite preposição “se”. Todos economistas sabem que esta euforia um dia acabara numa grave crise econômica e recessão. Os efeitos sobre paises atingidos, ninguem quer calcular. Mas todos sabem que quanto antes “pular do návio” protegendo seus ganhos, menos devastadoras serão as consequências. O duro mesmo é saber o que servirá de estopim.

O crescimento do Estado brasileiro será muito útil no momento da crise. Estado regulador de mercado não depende da vontade macroeconomica, então pode levar solavancos. Mas quando a tempestade passar, o gigantismo virá um peso morto, entravando o desenvolvimento. Mas o tempo está passando. O que esperamos? Ou será... Será que nos corredores de Brasília, eles tão sabendo de algo nos, pobres mortais, não sabemos?


terça-feira, 3 de julho de 2007

Sobre pessoas e carros.

Eu martelo. E vou martelar sempre que acontecer mais um acidente no cruzamento entre Tororos e av. Amintos Barros aqui em Natal. Hoje, logo depois do almoço, fui pegar algumas coisas em casa, antes de voltar para trabalho. Chegando, vejo o seguinte: no cruzamento, já está cheio de gente. Acidente de novo. Fui olhar. Uma camionete bateu na moto, daquelas de entrega. Dois condutores, apesar de feridas leves, estão em estado de choque. Logo depois apareceram: carro de emergência, reguladores de trânsito e polícia, nesta mesma ordem.

Logo depois do acidente, descrito no meu post, as autoridades municipais se tocaram. Resolveram fazer algo. Mas como é mais fácil redesenhar a estrada que colocar o sinal, fizeram o trevo. Eu nem sei porque. Mudou tudo. Pela idéia, todos os motoristas deviam reduzir a velocidade. Mas nem todos reduzem. Resultato: mais acidentes.

Agora, muitos natalenses não sabem fazer uso correto do trevo. Quando você chega perto dele deve-se reduzir velocidade. O carro que estiver entrando, ou dentro do trevo, tem preferência, ele tem que passar. Esta regra foi me ensinada ainda em Moscou, repetida tantas vezes como um “Pai Nosso”, e repetida exaustivamente nos cursos teóricos em Caicó. Mas ao que parece muitos motoristas deixam está parte passar em branco. Tem um pequeno trevo no início da rua Afonso Pena, no centro da cidade. Toda vez que eu passo lá tem restos de acidente. Um dia passando por lá ví que um Honda Cívic negligenciou a regra e derrubou uma moto. Em compensação, um FIAT Pálio entrou na traseira de Cívic. Os tres motoristas, discutiam animadamente, separados por um policial da ROCAM.

Penso que os natalensem dormem nas aulas teóricas, quando dirigem. E depois de pegar no volante os esquecem como um pesadelo. Fazem de tudo nas estradas. Ultrapassam em lugar indevido, andam tomando duas faixas, estacionam em fila dupla. Podem fazer o retorno, onde bem entenderem, desde que não sejam vistos pelo radar. Um dia alguem paga, por está liberdade. Ontem mesmo, indo almoçar, na avenida Norton Chavez, depois de sair do viaduto, um Volkswagen Fox foi fazer o retorno em lugar indevido para entrar pelo viaduto no Salgado Filho. Deu no que deu. No carrinho, com tudo, entrou Toyota Hilux, que vinha pela esquerda. O que aconteceu com motorista do Fox, eu não sei. Mas Norton Chavez foi interditada nos dois sentidos.

As autoridades contribuem com esta situação. Na avenida Prudente de Morais, no sentido ao centro da cidade, depois das chuvas abriu-se encorme buraco, logo depois do Macdonalds. Duas semanas já se passaram, o buraco continua lá. Firme e forte, tomando duas faixas. Um belo dia, já sabendo do transtorno, vinha eu pela esquerda. Chegando lá, estou vendo que o carro da direita, um belo Citroen C4, bruscamente, sem dar o sinal, esta pegando o meu espaço. Freio de leve, e uma buzinada, para avisar. Nada. Estamos em rota de coalizão. Aí não tive escolha, para evitar a batida, meti o pé no freio e mão na buzina. Ufa. Passou. O danado motorista, tava falando estava falando pelo celular. Devia ser muito importante, para arriscar seu bolso e sua saúde.


Sobre questão aérea...

A vida dos aeroportos brasileiros depois da tragédia acontecida em setembro do ano passado, esta ficando com ares de uma farsa. Hoje foi o nevoeiro que fechou os aeroportos de São Paulo. Em Guarulhos, o maior portal de entrada no País, todos os vôos foram atrasados, já agravando a situação do apagão aéreo que se arrasta por quase um ano. Toda semana o noticiário nos presenteia com imagens das pessoas dormindo em tudo que é canto e brigando com as atendentes.

Ora, nossos parlamentares deviam prestar mais atenção nesta crise ambulante, já que a Aeronáutica prefere prender controladores e brigar com ministro da Defesa, volta e meia, acometida pelos arroubos saudosistas dos tempos de regime militar. Disciplina, sim, estava em alta naqueles tempos, mas o resto ia mal das pernas. Congresso devia logo destituir Renan Calheiros do seu mandado e entregá-lo a Justiça, para desocupar pauta para solução da crise nos aeroportos. No meu ver o problema consiste em dois aspectos: institucional e administrativa. Aspecto institucional consiste em desmilitarizar o controle aéreo. Hoje, a maioria dos vôos são controlados pelos militares, o que não seria muito preocupantes. O problema é outro, tem poucos controladores em carreira militar que são encarregados em vigiar todo espaço aéreo brasileiro. Mas intensidade de vôos sobre São Paulo e, por exemplo, em Roraima, é muito disparo. O governo devia em regime de urgência convocar concurso público para preencher vagas dos controladores que estariam obedecendo as regras de trabalho civil passando pelo treinamento intensivo. Ao mesmo tempo, também deviam estar preparados novos radares que poderiam vigiar somente as rotas de aviação civil. Assim os militares ficariam livres para cumprir suas tarefas, ajudando aos seus colegas nos horários de maior congestionamento. Ao longo prazo devia se estabelecer o plano de desenvolvimento dos sistemas de acompanhamento até 2050, visto que as projeções da intensidade de vôos de aviação civil apontam o crescimento constante, até mais ou menos esta data.
Aspecto administrativo. Os aeroportos brasileiros são administrados pessimamente. Esta administração não é vista pelos passageiros, mas é muito sentida por todos nos. Nenhum aeroporto nacional esta preparado para receber novos tipos de aviões do Boeing ou Airbus (que começaram a ser desenvolvidas mais de dez anos atrás), e supercargeiros (tipo Ruslan e Antei russos e Mria ucraniana). Hoje já estão em pesquisa e desenvolvimento novos aviões supervelozes que exigirão dos aeroportos total mudança de infra-estrutura. Outro aspecto incomodo que existe só um aeroporto que atende toda demanda de vôos, tanto nacional quanto internacional. Se em Natal, isto não é preciso, em São Paulo os aviões fazem fila para decolar. Lembro que o avião que levava minha avó para Moscou, ficava logo na frente da nave que carregava meus pais de volta para Natal. Situação impensável. Nos grandes centros tem que ter vários aeroportos. Uns atendem a demanda nacional, outros internacional, e terceiro atende cargueiros. Facilitaria para todo mundo.
No final, este apagão aéreo corre risco de virar uma escuridão total e completa. A tragédia virou piada com final sem graça. Vamos enfim para de discursar e começar trabalhar. O povo agradece.

quinta-feira, 28 de junho de 2007

O preço da corrupção

A corrupção pode afetar desenvolvimento de uma nação? É uma pergunta que todo mundo quer responder. As revistas nos alimentam com entrevistas dos graduados, nos meios acadêmicos todo ano são publicadas toneladas de monografias, a respeito da questão. Sim, corrupção é conseqüência das duas naturezas. A da natureza humana que busca levar vantagem em tudo e que não para até mesmo diante da Lei e da natureza funcional do Estado que permite levar esta vantagem. O que sociedade pode fazer é controlar corrupção por meios éticos e morais, já só as que normas jurídicas não bastam. Nos paises escandinavos, valores como honestidade, igualdade e respeito mútuo são ensinados logo depois do trabalho de parto. No final, lá os níveis de corrupção são baixíssimos, mas mesmo assim ainda existentes.

Por outro lado, quando a corrupção entranha na sociedade, pode levá-la a falência. O exemplo não fica muito longe.

No século XVIII o apogeu do império português já havia passado. Na arena mundial, quem dominava o jogo era Inglaterra e França. Nos recantos do Império de Macau na China até Brasil estouravam rebeliões. O orçamento era deficitário. Foi quando no Brasil descobriram os metais preciosos, como prata e ouro. Portugal precisava urgentemente de reformas institucionais, rever a sua política em relação as colônias, reformar marinha e exercito. As reformas do marques de Pombal de cunho conservador falharam. Mas as toneladas de ouro foram para onde? Está certo. Foram abocanhados pelos fidalgos portugueses, diluindo-se na maquinaria burocrática lusa. Sim, foram construídas igrejas majestosas, a Lisboa e Sintra foram embelezadas, as mansões das famílias foram restauradas. Mas foi só. O exemplo da Espanha vizinha, onde ouro e prata foram usados para sustentar nobres e guerras feudais desnecessárias, o que levou Madri a ruína não foi visto. Em resultado, os lusitanos enfrentaram 200 anos de invasões, golpes, republiquetas frágeis. Portugal era um dos paises mais pobres da Europa, fornecedor da mão de obra barata, até que desde queda da ditadura salazarista e sua inclusão na União Européia em 1976, o pais começou a se reerguer das cinsas.A história é cheia de exemplos assim. Roma, Constantinopla, Madri, Paris e até São Petersburgo tsarista, cujo brilho ofuscava contemporâneos, acabaram falidos como um modo de Estado. Tem um velho provérbio chinês: ”O idiota aprende com seus próprios erros, o sábio aprende com erros dos outros”. Mas não parece ser o nosso caso. As luzes de Brasília são ofuscantes para todos nos.

sábado, 23 de junho de 2007

Armas sem controle

Hoje no blog de um blogeiro muito lido na Rússia (http://drugoi.livejournal.com) , abriu-se uma discussão sobre cães na cidade. Eu apostei no lado contra cachorros mantidos pelos donos no cenário urbano. Um dos comentaristas falou que nos municípios deviam ser proibidos cachorros de medio e grande porte. Ele foi mais claro – “Fosse por mim, quem quer ter um cão grande, que se mude para fazenda.” E ele tem razão. Quando o feliz dono compra um rotweiller ou doberman, ele so pensa em como será legal aparecer em público ao lado de montanha de músculos, dentes afiados e saliva caindo no chão. Ele não pensa em colocar colheira e limpar os dejetos. Tampouco dá atenção ao treinamento indispensável.

Um filhote de pitbull em Caicó custa R$ 45. Pense bem antes de levar em casa um deles. Os brasileiros pensam que pitbull será um bom guardião, o que não é assim. Esta errado. Pitbull é cão de rinha. Fora músculos e surtos de agressividade imprevesíveis, não tem mais nada. É pior que revolver. A arma é controlada pelo atirador. Pit não é controlado por nada, nem por sí proprio, por istó não é usado por polícia, militares e outras agências de controle. É por isto que alguns paises já baniram estas raças para uso doméstico. Enquanto não ocorreu mais nenhuma tragêdia ligada aos cachorros, vamos pensar o que fazer?


sexta-feira, 22 de junho de 2007

Entre tantos Coelhos dentro do chapéu...

Os cidadãos europeus escolheram um dos piores coelhos para representar a literatura brasileira no exterior... Paulo Coelho.
Não sei qual o motivo de tanto sucesso de um escritor de baixo escalão, que mais parecer autor de livros exotericos e/ou auto-ajuda. O problema é exatamente esse! Ninguem aguenta mais literatura romantica com persoangens, que mais parecem com semi-deuses. A massa quer personagens com problemas reais, que nao vêem mais motivos para viver (veronica decide morrer), textos escritos de forma simples e algo que a faça se identificar com o personagem principal. Fez fama, ganhou muito dinheiro, escreveu mais um livro - mais dinheiro. Ou seja, os livros de Paulo Coelho são fruto de uma sociedade que busca um prazer quase que momentaneo, mas que pouco dura. Ler Machado de Assis, Alvares de Azevedo, Castro Alves e outros grandes nomes da literatura brasileira é quase uma tortura para a maiora das pessoas, visto que a leitura é dificil e a trama muitas vezes é, por assim dizer, "enrolada". Mesmo assim a trama e a história é tão bem escrita que as vezes você mesmo sente todas as emoções que o personagem sente. Um grande exemplo é a obra de Machado de Assis "Capitu". O romance é tão bem escrito que o leitor é forçado a se dividir entre a culpa e a inocencia de Capitu, que é acusada de adulterio. No fim do livro fica a criterio do leitor decidir se ela é culpada, ou não. Falta tragedia de "Noite na Taverna", faltam a ironia e o sarcásmo de "Memórias Póstumas de Brás Cubas", falta o nacionalismo de "Cançao do Exílio" e o amor de "Iracema". Triste... e ainda deram uma cadeira na ABL pra Paulo Coelho.
Sou a favor da campanha: Brasil não é só carnaval, futebol e Paulo Coelho!

terça-feira, 19 de junho de 2007

Dilema da esquerda

Esquerda no mundo sofre das sérias derrotas no mundo todo, o que foi comprovado pelas eleições legislativas na França. Foi uma vitória avassaladora de compartidários de Nicolas Sarkozy, um jovem, mas muito ambisioso político frances, único que teve coragem de peitar o levante dos filhos de imigrantes no ano passado. Lendo nos blogs dos russos que vivem na França ou os que tem alguma conexão com aquele país, fiquei com impressão que Sarkozy teve um programa político consistente, com metas claras e compreensíveis ao contrário de Segolene Royal lider do movimento de esquerda do pais. Segolene se resumiu ao criticar adversário, vez por outra chamando-o de “fascista”. Não funcionou e perdeu. Perdeu de novo no domingo passado quando a maioria das cadeiras no Parlamento francês, onde ela prometeu dar o revanche ao Sarkozy. O plano de Segolene de levantar a bandeira socialista e virar novo simbolo da esquerda mundial afundou na mediocridade.

Nos devemos assumir que nesta década a esquerda sofreu várias derrotas. Foram derrotados na Espanha, França, Grécia, Polonia e Hungria. Tony Blair apesar do seu americanismo, mas o lider dos labouristas, deve renunciar em julho. No resto do mundo a esquerda é timida, sem falar nos EUA. Aqui no Brasil, apesar do presidente ser petista, o Congresso Nacional é de sua maioria pertence aos partidos da direita. No jogo político ele deve ou buscar aliança com eles ou virar uma cabeça falante. Na verdade o “governo da coalizão” é como carro com três motoristas, cada um puxa para seu lado e a maquina fica desgovernada. Sim, sempre nestas situações o governate pode fechar o Congresso, graças as desculpas existem, mas Lula nem cogita governar por meio dos AIs, por temer graves disturbios sociáis. E o PT por sua vez deve se prepara para ampliar sua influência nas prefeituras nas eleições para no ano vindouro, para poder, em cooperação com os prefeitos, ampliar os seu s programas.

No resto, acredito eu, fazendo um bom trabalho frente a Presidencia da República, Lula pode entregar-nos um pais diferente de que um Brasil que ele pegou, levantar a estigma da esquerda, e virar uma referência mundial. Ou seja fazer ser tudo que Segolene quiz ser. Está tudo nas mãos dele e do PT. História não vai mais oferecer uma chance assim.