terça-feira, 31 de julho de 2007

Mercedes com bancos de couro.

Meu irmão, no caminho ao Brasil, passando pelo Amsterdã, na Holanda ficou impressionado com os táxis de lá. “Eles lá, usam Mercedes com banco de couro como táxi” – disse. Fora isso, Holanda, como um pais desenvolvido é impecável. Limpa, sem flanelinhas, ajeitada afinal, não tem como sem ficar impressionado. Mas isto é apenas vitrine, que esconde uma história de muito suor, lagrimas e sangue.

Holandeses são descendentes de antiga tribo germânica de frisos, falam neerlandês, dialeto germânico, e se assentaram nas encostas do Mar do Norte no século VI depois de Cristo. Durante toda sua história e até hoje eles lutam contra o mar que insiste em invadir suas terras. Fora natureza severa, holandeses foram invadidos por toda espécie de invasores. Francos de Carlos Magno, vikings, alemães, franceses, espanhóis, ingleses e até dinamarqueses mostravam permanente interesse em se apossar do seu país. Mas este pequeno povo sempre resistiu até que se tornar uma grande potência colonial. Verdade seja falada, que Holanda, movida por interesses particulares de seus comerciantes, pilhou suas colônias, situadas principalmente em Antilhas Holandesas e sudeste asiático, sem dor nem pena. Envolveu-se em várias guerras pelo mundo, abrindo a página dramática na história luso-brasileira. Mas mesmo assim os holandeses sempre foram muito unidos, até mesmo fraternais uns com os outros. Escolas de alto nível, empregos estáveis, hospitais modernos, sempre foi a marca deles. Sem falar no seu espírito, assustadoramente tolerante. Talvez, eles merecem usar um Mercedes com banco de couro como táxi, por que o transporte principal da Holanda é barco e bicicleta. E por aqui nos temos ainda muita luta. É só assim que se forja o espírito de uma nação.

segunda-feira, 30 de julho de 2007

O passo da civilização.

Meu amigo, jornalista Raildon Lucena comentando sobre a posse de Nelson Jobim como Ministro da Defesa nacional, destacou que a direita brasileira esta se apossando dos Ministérios, visando no futuro um possível apoio à candidatura de Aécio Neves nas eleições presidenciais no ano de 2010. “Veja” – ele falou “com a nomeação de Nelson Jobim, a crise aérea, será brevemente solucionada...”. Pode ser.

Mas será que com a solução da crise aérea, os aviões pararão de cair? Controladores vão parar com ameaça de greve? E outros problemas do cotidiano brasileiro. Certamente, não.

A História tem suas leis, imutáveis como o Princípio da Gravidade. O desenvolver de uma nação obedece ciclos, entre auge e crise. Interferência humana só tem efeito catalisador ou atenuante. Infelizmente isto não depende de jogos políticos e de embate entre esquerda e direita.
Se nos lembramos do início dos anos 60, veremos que o golpe era inevitável, tanto poderia ser da direita, o que ocorreu de verdade, ou viraria rebelião esquerdista. Analise detalhada daquele período revela que já foram debeladas as tentativas de golpe em 1955, na época de Juscelino Kubitschek e em 1961 quando só ameaça de Brizola levar o país à guerra civil, parou os militares. No entanto, as reformas-base do João Goulart já foram tão longe com respaldos em amplos setores da sociedade assim como os sindicatos, estudantes e elite intelectual, que o presidente não podia mais evitar os antagonismos com os conservadores. Assim o golpe era inevitável. Se Janco conseguisse debelá-lo, levaria o país à implantação do socialismo que seria o mesmo golpe, só que socialista. Por mais que seja fatalista, mas o golpe era inevitável. Aos humanos só sobrou desenhar os detalhes.

É o passo da civilização brasileira. Assim que foi aprovada a Constituição brasileira, já fundamentaram a próxima crise da nação que talvez seja muito traumática para todos nos. Quando aprovaram nova Constituição, legalizou-se o status quo entre as facções políticas. Se escondendo nas entranhas legais, os representantes políticos remanescentes desde os tempos militares, regularizaram-se e começaram a preparar os seus sucessores afim de garantir a estabilidade que conseguiram após a redemocratização. Mas sua visibilidade foi muito mais explícita, revelando os lados nada agradáveis aos olhos da nação. Por que em 1988, a Constituição não prévia os ataques do PCC, o apagão, o Renan, os mensaleiros, os sanguessugas, entre os escândalos federais. E quantos escândalos, estaduais, municipais existem por aí? E os responsáveis que são vistos por todo mundo, não são condenados. Enfim, o Estado moldurado na Constituição pede sua legitimidade perante os olhos dos brasileiros. Mas a crise não é só governamental, a crise é civilizacional. Chegaremos ao ponto quando a sociedade não verá mais necessidade do Estado que existe agora, e o Estado não poderá mais fazer alguma coisa. Santo Agostinho, jurista e filósofo teológico no século V já descrevia na sua obra “cidade de Deus”,que Estado devia ter “a graça divina” ou seja proporcionar o desenvolver da sociedade. Caso contrário, ia se afundar nos vícios e perderia legitimidade perante seus cidadãos, que ficariam livres de obrigação de prestar obediência e teriam direito à “rebelião justa”. Nossos governantes, acobertos sob o manto democrático, pensam que o mandato eleitoral os legitimiza e indulta dos seus crimes, o que não é bem assim. No final teremos a situação puramente leninista quando “as elites não podem e o povo não quer”.

Dado o impasse, irá pouco tempo para acontecer uma nova crise da identidade brasileira. Se o país mergulhará numa guerra civil ou se limitará com reforma profunda do Estado, se sofrerá com golpe reacionário ou terá um cunho socialista, já não cabe a mim saber. Tudo dependerá da aptidão dos governantes, não importando se eles são da esquerda ou da direita.

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Mentalidade provincial

Hoje, quando fui para trabalho, me deparei com enorme engarrafamento na avenida Prudente de Morais. Mais um acidente, pensei. Mas nada disto, no cruzamento com Bernardo Vieira, os homens estavam trabalhando, na duplicação da avenida. Imediatamente se formou um engarrafamento, dificultando a movimentação do transito. Em vez de gastar 10 minutos para chegar de casa para trabalho gastei mais de meia hora.

Na cidade do porte de Natal, toda reforma na malha rodoviária urbana deve ser efetuada a partir das 9:00 horas da noite e até 6:00 da manha, quando o trafego não é tão intenso. Fora, claro, as ruas adjacentes e periféricas. Mas o prefeito municipal Carlos Eduardo parece que tem mentalidade do morador da cidade do interior, que, para não gastar com os trabalhadores os extras pelas horas noturnas previstos na legislação trabalhista, faz um transtorno adicional na, já problemático, transporte natalense. Os lucros indiretos que viriam do trabalho organizado do setor público e privado, ficam prejudicados pelo economia de dinheiro da forma mais primitiva possível.

sexta-feira, 20 de julho de 2007

Teoria e prática da guerra-rebelião

Guerra-rebelião é uma nova realidade mundial no início do século XXI. Depois da segunda guerra mundial um militar italiano repensou como seriam guerras no futuro (o presente de hoje). No entanto ele não se limitou a estratagema puramente militar. O que é guerra? Guerra hoje é um conflito armado entre duas ou mais nações por algum motivo, visando a conquista de alguns interesses. Pode ser recuperação do território, proteção ou ampliação de interesses econômicos, proteção de alguma parcela da sociedade. O que distingue a guerra-rebelião é sua baixa intensidade, desigualdade dos entre os lados beligerantes, de táticas distintas. Arsonni no seu trabalho afirmava que a rebelião-guerra pode começar onde tem sérios antagonismos entre nas castas societárias, divergências políticas, ou seja em todo mundo. Os motivos de guerra-rebelião podem ser mais distintos, mas os métodos são quase iguais.

A tática dos grupos consiste em famoso kick and rush, bate e corra. Ação consiste em aparecer em vários pontos, atacando vários pontos do estado (instalações militares ou policiais), atacar patrulhas moveis. Depois do ataque feroz, atacantes se retiram para esperar a reação política. O efeito dos seus ataques são quadruplicados pela mídia e os esforços políticos geralmente são todos em vãos. Essas guerras latentes foram implantados em Oriente Próximo, Iraque, Afeganistão, Paquistão, Chechenia e outros cantos que eu não conheço.

E o Brasil? Ora, nos já temos a nossa. Mudam os motivos ficam os métodos. Lembram dos ataques do PCC em maio do ano passado? Não parece familiar? Pois alguém errado já leu livros certos. Os ataques dos bandidos foram descentralizados. Ao mesmo tempo foram atacadas instalações policiais, agentes foram abordados em vários cantos, criando ilusão de numerosidade dos marginais. No dia seguinte São Paulo, parou. A imprensa mostrava as avenidas vazias, pessoas amendrontadas. Qual a finalidade do ataque? Evitar a transferência dos lideres do PCC à presídio de segurança máxima. Durante três meses 1500 homens da Força Nacional de Segurança e polícia do Rio de Janeiro cercavam o complexo do Alemão a fim de garantir a segurança do Pan. Fora uns vinte mortos, não conseguiram. Tem notícias que os traficantes do complexo tinham apoio lógico do sempre-presente PCC paulista.

A reação da sociedade é previsível, medo. Os ataques do PCC começaram com grave crise no setor de segurança. Foi criada a Força Nacional de Segurança, protótipo da Guarda Nacional a que ficasse incumbida a responsabilidade de repressão aos ataques dos grupos armados. Mas o projeto travou no Congresso Nacional e status de FNS ficou meio pendurado. Ela hoje atua, por exemplo no Rio de Janeiro, mas no vácuo jurídico, pois não existem referencias a ela na Constituição do Brasil. A União Federal dispõe de Forças Armadas e Polícia Federal, mas, perante ataques organizados, governadores resistem ao último, pois tanques na rua e helicópteros dos federais, é veredicto definitivo quanto a sua incompetência. Por outro lado os políticos já aprenderam a usar rebelião-guerra em sua vantagem. A imagem do Zé Serra como esmagador do levante, lhe rendeu a cadeira do Governador de São Paulo. Figuras como Sérgio Cabral e César Maia, também são apontados como defensores dos cariocas. Assim cria-se laço parasitário entre grupos marginais e Poder Público. Aspirantes a cadeiras importantes necessitam do “voto do medo”, insurgentes precisam dos políticos para ampliar a imagem “dos contras” e conseguir o financiamento mais sério. Assim este círculo vicioso só tende a se expandir, enfim levando ao colapso total da sociedade atual e do Estado vigente. Justamente a meta final de qualquer guerra-rebelião.

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Irresponsabilidade

Só tem uma pessoa neste país que ficou contente com o acidente em São Paulo. Este deve ser Renan Calheiros que agora, na penumbra, pode cessar o processo contra ele movido. No resto, em meio da confusão e das lamentações, procuram-se os culpados. Mas não precisa ser alguém. Culpa é da irresponsabilidade, que leva à incompetência, muitas vezes, criminosa.De acordo com CBN “no Brasil de hoje existem 10 agências que são responsáveis pelo trafego aéreo, tanto civil quanto militar”. Então é muito fácil se esconder entre normas, leis, decretos, ofícios, cartas circulatórias, que formam um belo escudo corporativista. E pouco importa que dentro de 10 meses, o Brasil passou a ser o primeiro pais entre os mortos nos acidentes aéreos, pouco importa que o setor aéreo está numa crise grave jamais vista no mundo, pouco importa que passageiro que o passageiro que está subindo ao bordo tem cara de soldado que vai ao ataque suicida.

Todos tem seus motivos. O empregado público se esconde atrás da estabilidade no emprego. O diretor de agência é apadrinhado do presidente o dos seus aliados. E o presidente e os aliados se escondem atrás dos nossos votos. Tem algo de errado. Como quebrar este ciclo vicioso?

quarta-feira, 18 de julho de 2007

Clamor dos 300

Antes do acidente do Gol, do apagão aéreo, antes desta confusão, o transporte de avião foi considerado o mais seguro do Brasil. No ar não tem assalto, não tem engarrafamento, nem motorista irritado. Já foi assim. Desde o início da crise aérea, nada foi feito, absolutamente nada. Ninguém assumiu responsabilidade, pelo mais de 300 vidas acumuladas. O presidente Lula, mais que covarde, junto com a sua cúpula vermelha se esconde atrás das frases nada significativas, invés de conduzir com a mão de ferro as reformas no setor aéreo. Zé Serra, com cara de urubu, como bem me falou amigo Raildon, num instante, apareceu no local para tirar dividendos políticos. E outros tantos que irão aparecer no desenvolver da gritaria. Agora, vão procurar culpados, e os culpados, quem liberou a pista molhada e despreparada para pouso de avião, quem designou o Airbus pousar no aeroporto que não tinha condições entre outros tantos, irão botar culpa uns nos outros até eternidade. Lula, com todos os poderes a ele conferidos, devia imediatamente interditar Congonhas, nem que seja com Exercito. Procurador-Geral da República instaurar processo criminal contra Infraero e donos da TAM e ir apurando denúncias até ter certeza que os responsáveis pelo acidente deviam parar atrás das grades. Se não tiver cacife para isto presidente, nem você, nem sua camarilha instalada no Planalto, pode governar sequer uma fazenda de 3 hectares, quanto mais um pais. As 300 almas clamam por isto. Eu também.

segunda-feira, 16 de julho de 2007

A doce vingança da verdade...

Ha alguns meses atras a VEJA publica uma matéria sobre a morte do ex-agente da FSB russa Alexander Litvinenko. A matéria fala de planos mirabolantes dos espiões russo que possivelmente teriam envenenando Litvinenko com polonio 210 em novembro de 2006. Desde o começo eu achei essa história meio absurda. Pra realizar uma queima-de-arquivos de um modo tão espalhafatoso? Rifle com mira telescopica e *bum*... ou ainda mais eficaz uma pedra na cabeça para deixar a impressão que foi um acidente. A imprensa brasileira, claro, jogou toda a culpa no presidente russo alegando que isso é tudo culpa da centralização do poder nas mão de Putin e seus comparsas!
Na semana passada a Justiça Federal acusa o oligarca russo Boris Berezovky de lavagem de dinheiro e pede a extradição do russo para o Brasil.

Interessante, né? De uma hora pra outra começam a cogitar uma possibilidade (o que já é um grande passo para a imprensa brasileira) do envolvimento do milionario russo na história do assassinato de Litvinenko.

Aiaiai... e quando a gente vai parar de ser papagaio e procurar informar melhor nossos cidadãos?

quinta-feira, 12 de julho de 2007

Sobre.

Interessante que hoje é Dia de São Pedro e São Paulo, apostolos imediatos de Jesus a quem foi incumbida a construção da Igreja cristã.

Supremacia católica - visâo crítica. Parte I

A reiteração papal de que a Santa Igreja Católica é único caminho a redenção e salvação em Cristo, provocou alvoroço em mundo cristão. Os protestantes reclamaram, pentecostes acusaram papa de apropriação de Deus, outras religiões também ficaram ressentidas, pois o conceito de salvação, em budismo, por exemplo, é diferente do cristão, mas quando papa diz que o caminho de salvação passa pelo:
a) Cristianismo
b) Papa, pode provocar irá de clérigos dos mais diferentes religiões.
Na verdade a encíclica papal somente reiterou as posições da Santa Sé, desenvolvidas durante o Concilio de Vaticano ocorrido durante anos 60. Apesar de profundas mudanças na política do Catolicismo, foi deixado em claro que a Igreja Católica é única e verdadeira Igreja Cristã. Ao longo das décadas está clausula conseguiu ser esquecida por algum tempo, pois revelava profundo antagonismo entre os cristãos. Com a chegada do alemão no trono de São Pedro, recomeçaram as afirmações conservadoras sobre temas como homossexualismo, aborto, ordenação das mulheres. Era esperado. O que não era esperado, foi a ambição católica como único meio a salvação da humanidade.

Quando Jesus assumiu a sua natureza divina, propagar o seu caminho foi deixado a cargo de seus discípulos. Muitos pesquisadores bíblicos na atualidade contestam esta hipótese, alegando que os evangelhos que foram escritos muitos anos depois da morte de Cristo, pecavam pela sua parcialidade. Mas está teoria de Igreja como sucessora de Cristo “bate” em quase todos evangelhos escritos, mesmo os apócrifos, então, na falta de outras provas mais concretas, podemos dizer que fictio pressupit veritas, ou seja, ficção parece ser verdade. O problema nesta parte consiste que Jesus mandou espalhar a nova fé para o apostolo Pedro, que teve sua atuação apagada, a tarefa de propagar cristianismo foi assumida por São Paulo, cujo evangelho foi traduzido em grego, antes de todos e que começou universalizar o cristianismo. Mas falta de centralização, complexidade da teoria cristã, nos dois séculos seguintes provocaram, uma miríade de seitas, assim como arianos, monofisistas, montanhistas entre os outros.
Continua..............

terça-feira, 10 de julho de 2007

O "X" da economia

Sobre política econômica do governo atual só tenho dizer uma coisa: ou os economistas de Lula são completos idiotas ou são gênios incomparáveis. Os liberais e outros “democratas” acham que o governo está perdendo tempo, sem fazer reforma política e administrativa, sem revisão de sistema tributário e diminuição de alíquotas de importação e exportação. Alguns mais afoitos pedem ‘privatização já” de Petrobrás e Caixa entre outras estatais, aproveitando o momento de euforia macroeconômica. Tem razão, mas só em parte. Pois o a elevação econômica da China, outros tigres asiáticos dá uma oportunidade única.

Por sua vez a base do governo pede calma e joga balde de água fria. Para enfrentar a concorrência mundial, avisa a esquerda, antes precisa resolver sérios problemas sociais, como erradicação de pobreza, melhoramento de ensino público, igual distribuição de renda, etc. Se não, o nosso desenvolvimento econômico vai cheirar à República Velha no início do século XX, cuja decadência permitiu golpe e ascensão do Estado Novo varguista.

Na verdade, a economia é uma ciência esquisita. Parece mais um jogo de azar, uma aposta. Ou você não joga, mas no final fica sem prejuizo, ou aposta suas fichas na rápida aceleração e corre, consequentemente, ficar a frente de grave crise econômica. Matemática econômica é única que admite preposição “se”. Todos economistas sabem que esta euforia um dia acabara numa grave crise econômica e recessão. Os efeitos sobre paises atingidos, ninguem quer calcular. Mas todos sabem que quanto antes “pular do návio” protegendo seus ganhos, menos devastadoras serão as consequências. O duro mesmo é saber o que servirá de estopim.

O crescimento do Estado brasileiro será muito útil no momento da crise. Estado regulador de mercado não depende da vontade macroeconomica, então pode levar solavancos. Mas quando a tempestade passar, o gigantismo virá um peso morto, entravando o desenvolvimento. Mas o tempo está passando. O que esperamos? Ou será... Será que nos corredores de Brasília, eles tão sabendo de algo nos, pobres mortais, não sabemos?


terça-feira, 3 de julho de 2007

Sobre pessoas e carros.

Eu martelo. E vou martelar sempre que acontecer mais um acidente no cruzamento entre Tororos e av. Amintos Barros aqui em Natal. Hoje, logo depois do almoço, fui pegar algumas coisas em casa, antes de voltar para trabalho. Chegando, vejo o seguinte: no cruzamento, já está cheio de gente. Acidente de novo. Fui olhar. Uma camionete bateu na moto, daquelas de entrega. Dois condutores, apesar de feridas leves, estão em estado de choque. Logo depois apareceram: carro de emergência, reguladores de trânsito e polícia, nesta mesma ordem.

Logo depois do acidente, descrito no meu post, as autoridades municipais se tocaram. Resolveram fazer algo. Mas como é mais fácil redesenhar a estrada que colocar o sinal, fizeram o trevo. Eu nem sei porque. Mudou tudo. Pela idéia, todos os motoristas deviam reduzir a velocidade. Mas nem todos reduzem. Resultato: mais acidentes.

Agora, muitos natalenses não sabem fazer uso correto do trevo. Quando você chega perto dele deve-se reduzir velocidade. O carro que estiver entrando, ou dentro do trevo, tem preferência, ele tem que passar. Esta regra foi me ensinada ainda em Moscou, repetida tantas vezes como um “Pai Nosso”, e repetida exaustivamente nos cursos teóricos em Caicó. Mas ao que parece muitos motoristas deixam está parte passar em branco. Tem um pequeno trevo no início da rua Afonso Pena, no centro da cidade. Toda vez que eu passo lá tem restos de acidente. Um dia passando por lá ví que um Honda Cívic negligenciou a regra e derrubou uma moto. Em compensação, um FIAT Pálio entrou na traseira de Cívic. Os tres motoristas, discutiam animadamente, separados por um policial da ROCAM.

Penso que os natalensem dormem nas aulas teóricas, quando dirigem. E depois de pegar no volante os esquecem como um pesadelo. Fazem de tudo nas estradas. Ultrapassam em lugar indevido, andam tomando duas faixas, estacionam em fila dupla. Podem fazer o retorno, onde bem entenderem, desde que não sejam vistos pelo radar. Um dia alguem paga, por está liberdade. Ontem mesmo, indo almoçar, na avenida Norton Chavez, depois de sair do viaduto, um Volkswagen Fox foi fazer o retorno em lugar indevido para entrar pelo viaduto no Salgado Filho. Deu no que deu. No carrinho, com tudo, entrou Toyota Hilux, que vinha pela esquerda. O que aconteceu com motorista do Fox, eu não sei. Mas Norton Chavez foi interditada nos dois sentidos.

As autoridades contribuem com esta situação. Na avenida Prudente de Morais, no sentido ao centro da cidade, depois das chuvas abriu-se encorme buraco, logo depois do Macdonalds. Duas semanas já se passaram, o buraco continua lá. Firme e forte, tomando duas faixas. Um belo dia, já sabendo do transtorno, vinha eu pela esquerda. Chegando lá, estou vendo que o carro da direita, um belo Citroen C4, bruscamente, sem dar o sinal, esta pegando o meu espaço. Freio de leve, e uma buzinada, para avisar. Nada. Estamos em rota de coalizão. Aí não tive escolha, para evitar a batida, meti o pé no freio e mão na buzina. Ufa. Passou. O danado motorista, tava falando estava falando pelo celular. Devia ser muito importante, para arriscar seu bolso e sua saúde.


Sobre questão aérea...

A vida dos aeroportos brasileiros depois da tragédia acontecida em setembro do ano passado, esta ficando com ares de uma farsa. Hoje foi o nevoeiro que fechou os aeroportos de São Paulo. Em Guarulhos, o maior portal de entrada no País, todos os vôos foram atrasados, já agravando a situação do apagão aéreo que se arrasta por quase um ano. Toda semana o noticiário nos presenteia com imagens das pessoas dormindo em tudo que é canto e brigando com as atendentes.

Ora, nossos parlamentares deviam prestar mais atenção nesta crise ambulante, já que a Aeronáutica prefere prender controladores e brigar com ministro da Defesa, volta e meia, acometida pelos arroubos saudosistas dos tempos de regime militar. Disciplina, sim, estava em alta naqueles tempos, mas o resto ia mal das pernas. Congresso devia logo destituir Renan Calheiros do seu mandado e entregá-lo a Justiça, para desocupar pauta para solução da crise nos aeroportos. No meu ver o problema consiste em dois aspectos: institucional e administrativa. Aspecto institucional consiste em desmilitarizar o controle aéreo. Hoje, a maioria dos vôos são controlados pelos militares, o que não seria muito preocupantes. O problema é outro, tem poucos controladores em carreira militar que são encarregados em vigiar todo espaço aéreo brasileiro. Mas intensidade de vôos sobre São Paulo e, por exemplo, em Roraima, é muito disparo. O governo devia em regime de urgência convocar concurso público para preencher vagas dos controladores que estariam obedecendo as regras de trabalho civil passando pelo treinamento intensivo. Ao mesmo tempo, também deviam estar preparados novos radares que poderiam vigiar somente as rotas de aviação civil. Assim os militares ficariam livres para cumprir suas tarefas, ajudando aos seus colegas nos horários de maior congestionamento. Ao longo prazo devia se estabelecer o plano de desenvolvimento dos sistemas de acompanhamento até 2050, visto que as projeções da intensidade de vôos de aviação civil apontam o crescimento constante, até mais ou menos esta data.
Aspecto administrativo. Os aeroportos brasileiros são administrados pessimamente. Esta administração não é vista pelos passageiros, mas é muito sentida por todos nos. Nenhum aeroporto nacional esta preparado para receber novos tipos de aviões do Boeing ou Airbus (que começaram a ser desenvolvidas mais de dez anos atrás), e supercargeiros (tipo Ruslan e Antei russos e Mria ucraniana). Hoje já estão em pesquisa e desenvolvimento novos aviões supervelozes que exigirão dos aeroportos total mudança de infra-estrutura. Outro aspecto incomodo que existe só um aeroporto que atende toda demanda de vôos, tanto nacional quanto internacional. Se em Natal, isto não é preciso, em São Paulo os aviões fazem fila para decolar. Lembro que o avião que levava minha avó para Moscou, ficava logo na frente da nave que carregava meus pais de volta para Natal. Situação impensável. Nos grandes centros tem que ter vários aeroportos. Uns atendem a demanda nacional, outros internacional, e terceiro atende cargueiros. Facilitaria para todo mundo.
No final, este apagão aéreo corre risco de virar uma escuridão total e completa. A tragédia virou piada com final sem graça. Vamos enfim para de discursar e começar trabalhar. O povo agradece.